Rondônia - 24 de junho de 2018
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Eduardo Cunha: ambição e insensatez

A nação está perplexa com as últimas cenas provindas da Câmara dos Deputados, nas quais se vê um presidente da Casa (Eduardo Cunha), acossado pela repulsa de grande parte de seus pares – e da opinião pública – a uma manobra ignóbil: utilizar-se do poder que o cargo lhe faculta para bloquear indevidamente o andamento de um processo aberto contra si, no Conselho de Ética, por falta de decoro parlamentar. O afrontamento à opinião pública e à liturgia do cargo é tão explícito e indecoroso a ponto de não se ter notícia de algo semelhante em toda a história da República. A hora é grave e exige das lideranças nacionais e das instâncias guardiãs da Constituição uma resposta à altura de suas responsabilidades e do interesse público.

A ação no Conselho de Ética diz respeito à acusação de que o presidente do Poder Legislativo mentiu perante a CPI da Petrobras, quando negou ter contas secretas no Exterior, a partir das primeiras denúncias. De lá para cá, documentos abundantes do Ministério Público da Suíça têm munido as investigações de provas e reduzido a pó diversas versões justificativas apresentadas por ele. O bom senso e a ética exigiriam, desde logo, de sua parte, a entrega do cargo, tanto para se defender como para tirar qualquer dúvida de que poderia influenciar as investigações se continuasse no posto. Mas fez exatamente o contrário – segundo as queixas ouvidas na Casa. Com isso, deu razão aos que sempre o consideraram uma pessoa de trajetória polêmica e desprovida dos requisitos mínimos para exercer uma função de tamanha responsabilidade.

Igualmente desprovidos desses predicados parecem ser os que dão sustentação e alento à sua teimosia e falta de descortino, alimentando uma situação insustentável e condenável sob todos os pontos de vista. Não é possível permitir que uma nação inteira fique na dependência de um personagem tão desprovido de sensibilidade política e de referencial ético, a ponto de colocar em perigo a saúde das instituições em nome de uma ambição pessoal desmedida.

Felizmente, a democracia dispõe de instrumentos constitucionais para resguardar a nação de uma ameaça desse tipo. É hora de usá-los, o quanto antes, para que o País saia da perplexidade e do vexame público a que está exposto e possa entregar-se à construção de seu destino.

Fonte: O Povo