Home / Notícias / Esportes / Em áudio, advogado de Cerveró diz que Romário tem conta na Suíça

Em áudio, advogado de Cerveró diz que Romário tem conta na Suíça

romarioandre-551x350

Áudio que embasou prisão do senador petista mostra advogado comentando sobre risco de prisão do ex-jogador por manter ativos no exterior;

O advogado Edson Ribeiro, responsável pela defesa do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, disse em conversa gravada com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) que o senador Romário (PSB-RJ) tinha dinheiro numa conta na Suíça, mas foi avisado para retirá-lo para não “ser preso”. O diálogo, do início deste mês, foi uma das motivações das ordens de prisão contra o congressista e o advogado.

No áudio, Ribeiro afirma ao petista que recebeu a informação de que Romário tinha dinheiro guardado numa conta na Suíça e que foi avisado para retirar o valor do paraíso fiscal europeu, evitando, assim, uma prisão. Em troca, Romário, segundo o advogado, teria supostamente aceitado apoiar Pedro Paulo, pré-candidato do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB-RJ), à sua sucessão.

Romário sempre negou ter conta na Suíça. Após a publicação de uma reportagem a respeito, ele demonstrou que os extratos que a comprovariam eram falsos e a revista “Veja” admitiu ter cometido um erro ao divulgar a informação.

A conversa foi gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, que participou de reunião com Delcídio e o advogado do pai num hotel de Brasília no último dia 4 de novembro. Romário ainda não divulgou quem terá seu apoio na eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro. Até o momento, a assessoria do senador ainda não se manifestou a respeito.

Leia trecho do diálogo que menciona esse episódio:

“Delcídio Amaral – Hoje eu estava com a minha agenda toda organizadinha para estar aqui às 13 horas. Para acabar de complicar ainda mais “O Globo” me aparece com Eduardo Paes, com Pedro Paulo, com Romário e com Ferraço.

ADVOGADO – Fizeram acordo, né?

DELCÍDIO – Diz o Eduardo que fez.

ADVOGADO – Foi Suíça.

DELCÍDIO – Foi Suíça é?

ADVOGADO – Tinha a conta realmente do Romário

DELCÍDIO – Do Romário é?

BERNARDO CERVERÓ – Tinha essa conta é?

DELCÍDIO – Em função disso fizeram o acordo?

ADVOGADO – Tinha dinheiro no banco que foi encontrado. [há um barulho e os presentes dizem ahhh]. Tira, senão você vai preso [mais barulho como se estivesse batendo na mesa].

DELCIDIO – O que eu achei estranho foi ele [Eduardo Paes] chegar [possivelmente para uma reunião com Delcídio acompanhado de Romário]. Eu disse: – Romário, o que você esta fazendo aqui? – E ele me disse: Eu estou acompanhando o Eduardo.

ADVOGADO – Esquisito né? Essa é a informação que me deram.

DELCÍDIO – O Eduardo eu tenho intimidade, principalmente na CPI dos Correios [que investigou o mensalão e foi presidida pelo petista. Na época, Paes era da oposição e sub-relator]. Ele era meu braço direito na CPI. Ele me disse – Não Delcídio. Eu chamei o Romário, disse na frente do Romário, nós acertamos uma aliança para o Romário apoiar o Pedro Paulo [candidato do PMDB à prefeitura do Rio]. Mas tem esse motivo é? Não é possível o que aconteceu. Quando eles chegaram eu disse: – O que vocês estão fazendo aqui, juntos? Daí o Eduardo explicou que fizeram uma composição. Daí eu fui fazer uma foto e eles fizeram juntos com as mãos.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DO SENADOR DELCÍDIO DO AMARAL

Nota Oficial

A defesa do Senador Delcídio do Amaral (PT-MS) manifesta inconformismo em relação à decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal e a convicção de que o entendimento inicial será revisto. Questiona-se o fato de que as imputações tenham partido de um delator já condenado, que há muito tempo vem tentando obter favores legais com o oferecimento de informações. Questiona-se também a imposição de prisão a um Senador da República que sequer possui acusação formal contra si. A Constituição Federal não autoriza prisão processual de detentor de mandato parlamentar e há de ser respeitada como esteio do Estado Democrático de Direito.

Maurício Silva Leite, advogado do Senador Delcídio do Amaral

Fonte: Estadão