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Alunos que irrigam plantas com água do ar-refrigerado serão premiados em São Paulo

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Do aparelho de ar refrigerado, a água canalizada em borracha e garrafas pet goteja sobre plantas na pequena horta. O calendário dos “Rios voadores” de 2016 teve especial participação da equipe integrante do Projeto Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente de Vida) será distribuído pela Secretaria Estadual de Educação de Rondônia e em diversas escolas brasileiras.

O Projeto Rios Voadores, criado pelo aviador ambientalista Gérard Moss, promove a pesquisa do vapor de água amazônico, divulgando o seu papel no regime de chuvas em outras regiões brasileiras.

Esses dois trabalhos inspirados na água, e outros na área socioambiental motivaram conquistas em 2014 e 2015, aumentando a visibilidade da Escola Estadual Murilo Braga, na Capital de Rondônia, vencedora do Prêmio “Desafio – Criativos da Escola Design for Change”.

O prêmio ao projeto “Ar refrigerado e água, uma combinação que dá vida”, é organizado pelo Instituto Alana. Concorreram outros 418 projetos de todo o Brasil.

Os demais vencedores deste ano: “Gaiolas Literárias”, de Parnamirim (RN); “Grupo de Apoio e Conselhos”, de Simão Dias (BA); “História construída por blocos”, de Sobradinho (DF); e “Jovem Explorador e o Ecomuseu”, de Pacoti (CE).

A apoteose para a EE Murilo Braga será em São Paulo, no próximo dia 11, quando conhecerão uma experiência de inovação e criatividade liderada pela equipe do Mesa&Cadeira [empresa que acredita em aprender fazendo] e a celebração no Itaú Cultural.

Segundo a coordenadora do Projeto Com-Vida na EE Murilo Braga, professora Carmen Andrade, educadores responsáveis pelos grupos vencedores receberão R$ 1 mil para fazer um curso à sua escolha. Cada escola também receberá R$ 2 mil para celebrar a conquista.

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CONHECIMENTO

A equipe premiada embarcará em Porto Velho no dia 7, conhecerá trechos da Mata Atlântica e visitará alguns pontos históricos.“É um momento singular para essas crianças. Quatro delas, nunca saíram de Porto Velho para outros estados, e em São Paulo vão obter conhecimentos e conversar com professores e alunos de outras escolas brasileiras”, comenta Carmen Andrade.

O Ministério da Educação (MEC) enviou e-mail à direção do estabelecimento, propondo participação no Desafio Criativo. A aceitação foi imediata, e no dia seguinte, grupos de alunos entraram em campo para identificar problemas socioambientais na escola e na cidade. “Logo notamos o desperdício de água no ar-condicionado, fizemos considerações e entendemos que ficaria simples usá-lo para irrigação”, explica Marcos Vinícius Castilho, 11.

Acionado o coletor feito com garrafa vazia de amaciante de roupas, o canal conduz a água até o jardim.  “Olha só a composteira”, aponta a professora Simone Ximenes. Perto dele florescem bem gotejados, boldo, cheiro verde, capim santo, hortelã, milho, pimenta e quiabo”. Brevemente, a sala dos professores será abastecida com chás desse canteiro.

CONTRA O DESPERDÍCIO

Embora esteja em fase de aperfeiçoamento, já se sabe que até o início de 2016 a torneira será acionada automaticamente. Um pêndulo no depósito d’água indica o volume e a torneira com três pontos faz gotejar.  Uma das centrais de ar da marca LG de 24.000 BTUs desperdiçava 4 litros e 600 mililitros. Na captação dessa água em baldes, eles constataram que o sistema de garrafas pets resultou em 1 litro e 23 ml/hora.

Marcos Vinícius, Jaíra de Paula Lima, 15, Camila Gomes, 11, e Emilly Kalki, 11, investiram apenas R$ 25 nesse projeto. Os aparelhos de ar ficam ligados nos períodos da manhã e da tarde. “Foi necessário apenas comprar arame, torneirinhas, presilhas, mangueira e veda-rosca”, conta a acadêmica Erika Alves da Silva, 27, do Programa de Iniciação à Docência na Universidade Federal de Rondônia (Unir). Ela faz parte do grupo de 14 acadêmicos divididos em grupos que supervisionam ações escolares.

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CALENDÁRIO

Desenhos e frases fizeram o calendário dos “Rios voadores” para o próximo ano. Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos.

“Os rios voadores se formam lá em cima /Caem em forma de chuva /Amenizando o clima /As gotinhas que caem na vegetação /Elas evaporam dando chuva de montão

A frase é de autoria de Naiã de Paula Lima, 12 anos, e Lurdes Ribeiro, 11, lembrando que as correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Nas condições meteorológicas propícias como uma frente fria vinda do sul, por exemplo, se transforma em chuva.

“Em 2009, a escola começou a trabalhar nos arredores, depois estendeu suas atividades nos bairros. Infelizmente, o êxito de nossas experiências é mais conhecido fora de Rondônia”, comenta a professora Carmen Andrade.

Em 2014, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) premiou a aluna Ingrid Brasil na 6ª Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente, e em São Paulo¸ a aluna Rebbeca Evellyn explicou a experiência com Com-Vida durante o Simpósio de Políticas Públicas e Educação Ambiental. Foi a única aluna a falar para mestres, educadores e gestores.

ADOÇÃO DE ANIMAIS

Alunos da Escola Murilo Braga ampliaram seus limites de atuação, criando em agosto deste ano numa feira um grupo de adoção de animais. Doaram inicialmente, de uma vez, 50 cachorros e 29 gatos, e cuidaram de anotar nomes e endereços das pessoas, as quais em seguida visitaram.

“Eles notaram que a região da escola concentra muitos animais abandonados, e junto com os que foram recolhidos, vacinados e cuidados, somaram-se aqueles abandonados por moradores ribeirinhos durante as enchentes de 2014 em bairros próximos ao rio Madeira”, explica Carmen Andrade.

Para o início do próximo ano, programam caminhadas com os bonecos “Senhor Poluição” e “Senhora Bueiro”, a fim de conscientizar moradores da Capital a não entupir bocas de lobo com lixo de diversos tipos, o que é comum – e nocivo – em Porto Velho.

Quando distribuíram 54 mudas de frutíferas [acerola, açaí, caju, graviola, goiaba, ingá, jabuticabeira, mamão, maracujá, pitanga e rambutã], a equipe também teve o cuidado de anotar endereços, a fim de acompanhar o desenvolvimento das plantas.

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