Rondônia - 24 de Maio de 2018
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Apontado como facilitador de exploração de madeira na Amazônia, Lula depõe em investigação italiana

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi até Brasília para prestar vários depoimentos à Justiça na quarta-feira (16). Entre as diversas explicações que Lula teve que dar, está um depoimento relacionado à Operação Lava Jato, no qual foi ouvido como testemunha.

Também hoje, segundo a Folha de São Paulo, Lula foi ouvido em uma ação da Justiça italiana sobre a sua relação com o empresário Valter Lavitola, ligado ao ex-ministro italiano Silvio Berlusconi, que renunciou ao cargo em novembro de 2011. A assessoria de imprensa do Instituto Lula confirmou a informação ao jornal O Globo.

O pedido é para que Lula se explicasse é baseado em uma mensagem trocada entre Lavitola e Berlusconi, onde Lula é citado como “facilitador” de negociações de uma concessão para explorar madeira na Amazônia. Além das tratativas sobre a concessão de exploração de madeira na Amazônia, o MP da Itália quer entender qual foi o grau de influência de Lula em uma disputa que teria havido entre a empresa de Valter Lavitola e compradores chineses.

Em setembro deste ano, o Ministério Público italiano enviou uma carta rogatória ao MP brasileiro pedindo que o ex-presidente fosse ouvido sobre sua relação com o empresário italiano, apontado como operador dos negócios de Berlusconi. Em seguida, a correspondência foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR).

O empresário já admitiu às autoridades de seu país que Lula atuou em seu favor, mas que o ex-presidente já havia deixado o cargo em 2011, já não teria o feito naquele momento específico.

Dossiê China

Em 2011, o jornalista Alan Alex revelou um complexo golpe que teria sido aplicado em Rondônia por uma holding chinesa chamada Sustainable Forest Holdings Limited, ou Susfor. Essa empresa teria ganho o contrato para extração de madeira das áreas que seriam alagadas pelas usinas e de posse dessa garantia arrecadou milhões de dólares na bolsa de valores de Hong Kong. A Susfor nunca tirou um palito de dentes sequer dessas áreas e gerou um problemão para as usinas, que tiveram que dar fim na madeira na última hora. Milhares de toras foram enterradas, para se ter uma idéia.

O “rolo” envolveu ainda alguns deputados estaduais que na época criaram a “CPI das Usinas”. O empresário Luiz Carlos Tremonte, que era proprietário da empresa VP Construções, com sede em São Paulo, que foi vendida para a Susfor (que ele afirma não ter recebido) e detinha o contrato para retirada de toda a madeira das áreas que foram alagadas pelas usinas. Ele foi o responsável por revelar todo o esquema em 2011 e acusou o então deputado Tiziu Jidalias de ter recebido R$ 1 milhão para “deixar a coisa quieta”. Tiziu negou, Tremonte rebateu e não se falou mais no assunto.

Acontece que Tremonte também havia encaminhado denúncia para órgãos como Polícia Federal e Ministério Público Federal que passaram a investigar o esquema. A operação também investiga envio de recursos para o exterior (evasão de divisas) e lavagem de dinheiro, cujos recursos teriam financiado campanhas eleitorais em Rondônia.

Fonte: Jornal Rondônia Vip