Rondônia - 16 de novembro de 2018
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Percentual de famílias com contas em atraso aumenta em dezembro de 2015

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O percentual de famílias com dívidas apresentou ligeiro aumento em dezembro de 2015 ante o mês anterior. Também houve alta na comparação com o mesmo período de 2014. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso aumentou entre novembro e dezembro de 2015, assim como o percentual que relatou não ter condições de pagar suas contas em atraso. Na comparação anual também houve alta em ambos os indicadores de inadimplência.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 61,1% em dezembro de 2015, ficando praticamente estável em relação aos 61,0% observados em novembro de 2015 e aumentando em relação aos 59,3% de dezembro de 2014.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou na comparação mensal, passando de 22,7% para 23,2% do total. Houve alta também no percentual de famílias inadimplentes em relação a dezembro de 2014, quando esse indicador alcançou 18,5% do total.

O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes, aumentou na comparação entre novembro e dezembro de 2015, passando de 8,5% para 8,7% e ficando acima também dos 5,8% de dezembro de 2014.

A alta do número de famílias endividadas na comparação com o mês imediatamente anterior foi observada apenas no grupo de famílias com renda acima de dez salários mínimos. Na comparação anual, ambas as faixas de renda apresentaram alta. Entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, o percentual daquelas com dívidas foi de 62,2% em dezembro de 2015, ante 62,3% em novembro de 2015 e 60,6% em dezembro de 2014. No grupo com renda acima de dez salários mínimos, o percentual de famílias endividadas passou de 54,6%, em novembro de 2015, para 56,0% em dezembro de 2015. Em dezembro de 2014 o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era de 52,2%.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os grupos de renda pesquisados, tanto na comparação mensal quanto na anual. Na faixa de menor renda, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 25,2%, em novembro de 2015, para 25,4% em dezembro de 2015. Em dezembro de 2014, 20,6% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos o percentual de inadimplentes alcançou 12,8% em dezembro de 2015, ante 11,8% em novembro de 2015 e 9,0% em dezembro de 2014.

A análise por faixa de renda do percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso mostrou comportamento distinto entre os grupos pesquisados na comparação mensal. Na faixa de maior renda, o indicador alcançou 3,7% em dezembro de 2015, ante 2,9% em novembro de 2015 e 1,9% em dezembro de 2014. No grupo com renda até dez salários mínimos, o percentual de famílias sem condições de quitar seus atrasos caiu de 10,1%, em novembro, para 9,9% em dezembro de 2015. Em relação a dezembro de 2014 houve acréscimo de 3,0 pontos percentuais.

Acompanhando a redução no percentual de endividados, a proporção das famílias que se declararam muito endividadas também ficou praticamente estável entre os meses de novembro e dezembro de 2015 – de 13,4% para 13,5% do total. Na comparação anual houve alta de 2,7 pontos percentuais. Na comparação entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada ficou estável em 22,4%, e a parcela pouco endividada passou de 26,1% para 25,3% do total de famílias. Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 62,5 dias em dezembro de 2015 – acima dos 60,0 dias de dezembro de 2014.

O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de 6,9 meses, sendo que 28,6% estão comprometidas com dívidas até três meses, e 33,6%, por mais de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas aumentou na comparação anual, passando de 30,6% para 31,9%, e 26,5% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas.

O cartão de crédito foi o mais apontado como um dos principais tipos de dívida, por 78,3% das famílias endividadas, seguido de carnês, por 16,7%, e, em terceiro, de financiamento de carro, 3 por 12,9%. Entre as famílias com renda até dez salários mínimos, cartão de crédito, por 79,8%, carnês, por 17,7%, e financiamento de carro, por 9,9%, foram os principais tipos de dívida apontados. Já entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, os principais tipos de dívida apontados em dezembro de 2015 foram: cartão de crédito, por 71,4%, financiamento de carro, por 26,9%, e financiamento de casa, por 18,4%.

O percentual de famílias com dívidas ficou praticamente estável entre novembro e dezembro de 2015, após dois meses consecutivos de queda. Apesar da sazonalidade favorável do período, devido à remuneração do décimo terceiro salário aos trabalhadores, também houve discreta piora na percepção das famílias em relação às suas dívidas. Esses indicadores apresentaram alta em comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora seja observada retração nos indicadores de consumo das famílias, sobretudo das categorias de bens usualmente atreladas ao crédito, o aumento das taxas de juros, ao mesmo tempo em que há redução do emprego e da renda real dos consumidores, manteve o nível de endividamento das famílias em patamares superiores em relação a 2014.

A proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso foi maior em dezembro, na comparação com novembro, e o indicador alcançou o maior nível desde junho de 2012. Mesmo com o fator sazonal do período, que também favorece a quitação de débitos em atraso, houve piora nos indicadores de inadimplência, e uma proporção maior de famílias informou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso. As taxas de juros mais elevadas e o cenário menos favorável do mercado de trabalho também impactaram negativamente os indicadores de inadimplência e a percepção das famílias em relação às suas dívidas.

Sobre a Peic

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) é apurada mensalmente pela CNC a partir de janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal com cerca de 18 mil consumidores. Das informações coletadas, são apurados importantes indicadores: percentual de consumidores endividados, percentual de consumidores com contas em atraso, percentual de consumidores que não terão condições de pagar suas dívidas, tempo de endividamento e nível de comprometimento da renda.

O aspecto mais importante da pesquisa é que, além de traçar um perfil do endividamento, permite o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação a sua capacidade de pagamento. Há muitos indicadores nacionais de crédito e inadimplência, que, entretanto, dizem pouco sobre o endividamento do consumidor e nada em relação a sua percepção da capacidade de pagamento. Com o aumento da importância do crédito na economia brasileira, sobretudo o crédito ao consumidor, o acompanhamento desses indicadores é fundamental para se analisar a capacidade de endividamento e de consumo futuro deste, levando-se em conta o comprometimento de sua renda com dívidas e sua percepção em relação a sua capacidade de pagamento.

Assim, a pesquisa representa também um importante indicador antecedente do consumo e do crédito. Os principais indicadores da Peic são:

• Percentual de famílias endividadas – percentual de consumidores que declaram ter dívidas na família nas modalidades: cheque pré-datado, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros;

• Percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso – percentual de consumidores com contas ou dívidas em atraso na família;

• Percentual que não terá condições de pagar dívidas – percentual de famílias que não terão condições de pagar as contas ou dívidas em atraso no próximo mês e, portanto, permanecerão inadimplentes;

• Nível de endividamento – entre muito, mais ou menos ou pouco endividados; • Principais tipos de dívida – entre cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnês, financiamento de carro, financiamento de casa e outras dívidas;

• Tempo de atraso no pagamento – entre até 30 dias, de 30 a 90 dias e mais que 90 dias; e • Tempo de comprometimento com dívidas – entre até três meses, de três a seis meses, de seis meses a um ano e maior que um ano.

Fonte: Assessoria