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Sete vezes em que Ricardo Boechat ‘mitou’ na TV e na web

Ricardo_Boechat2.jpgEm 2016, Ricardo Boechat completará dez anos como titular no Jornal da Band. Nessa década, se tornou um âncora singular. Rasgou o manual do politicamente correto e renunciou à autocensura comum aos jornalistas de TV. Sem papas na língua, ele critica políticos, cobra governantes e solta ironias ácidas para externar seu descontentamento. Com isso, tornou-se inspirador de memes. Alguns deles ‘quebraram’ a internet brasileira nos últimos tempos.

 

Chinelada

Imagine um apresentador chegando na redação-estúdio para apresentar o telejornal usando Havaianas. Pois é, aconteceu. Boechat, portenho radicado no Rio, achou que estava calor demais para usar meias e sapatos. Calçou seus chinelos de dedos, vestiu o terno e comandou o Jornal da Band de sábado (26) com os pés livres, leves e soltos embaixo da bancada. Até então, a maior ousadia do gênero havia sido cometida por Cid Moreira. Certa vez, ele apresentou o Jornal Nacional usando bermuda, pois chegou atrasado ao estúdio e não teve tempo de colocar uma calça.

 

Doença assumida

Em agosto, o âncora revelou sofrer de depressão. Ele falou sobre a doença após ficar quinze dias afastado da TV e do rádio, em consequência de um colapso. Boechat explicou a razão de compartilhar o problema de saúde: “Se eu conseguir ajudar algum ouvinte a prevenir a depressão ou a curá-la, já me dou por satisfeito”. Uma atitude merecedora de aplausos, já que a maioria das personalidades da mídia afetadas pela depressão prefere se esconder, devido ao temor do julgamento público por ter um transtorno psiquiátrico. Boechat mandou um ‘tô nem aí’ para o preconceito contra os depressivos.

 

“Vai procurar rola”

A mais ruidosa polêmica protagonizada pelo jornalista aconteceu em junho. Ao rebater uma crítica feita a ele pelo pastor Silas Malafaia, Boechat dispensou a sutileza. “Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me encha o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia e agora vai querer me processar. Você gosta é muito de palanque, eu não vou te dar palanque porque tu é um otário”, disse o jornalista ao microfone da rádio BandNews FM.

 

Sutiã rosa

Ainda em junho, Ricardo Boechat voltou a ‘causar’ ao surgir usando sutiã rosa num vídeo de campanha de vacinação contra a gripe. O objetivo de chamar atenção para a prevenção da doença foi atingido. Nunca antes na história deste país um âncora de telejornal teve tamanho desprendimento ao abraçar uma causa.

 

Plac, plac, plac

No dia 3 de julho, o âncora surpreendeu os telespectadores ao encerrar o Jornal da Band estourando bolhinhas de ar num pedaço de plástico-bolha. Foi uma espécie de protesto pelo anúncio do fim da produção do material pela empresa que o criou, nos anos 1960.

 

“Alô, mãe?”

No dia 26 de fevereiro, Boechat interrompeu a leitura das notícias do Jornal da Band, pegou seu celular e fingiu falar com a mãe dele: “Mãe, foi você que recebeu o dinheiro das empreiteiras? Não? Os deputados da CPI também estão dizendo que não. Ah, eles receberam? Tinham que se declarar impedidos? Mas não tem nenhum dinheiro pra nós aí não, né, mãe? Tá bom, mãe. Beijo pra você”. Temperar o noticiário político com doses de deboche é uma das marcas registradas do jornalista.

 

“Vagabundo”

Na edição de 29 de dezembro do ano passado do Jornal da Band, o apresentador classificou o cantor Renner de “vagabundo”, “assassino” e “criminoso” ao comentar a prisão do sertanejo por dirigir embriagado e bater o carro em outro veículo, treze anos após provocar a morte de um casal num acidente no interior paulista. Ao verbalizar sua indignação, às vezes com virulência mas sem nunca desbancar para o populismo, Ricardo Boechat dá voz aos milhões de telespectadores igualmente revoltados. Ele atua como expurgador da aversão coletiva contra meles crônicos da sociedade, como a corrupção e a impunidade.

Fonte: Terra