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quarta-feira, 03 junho 2020, 16:33
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As últimas horas de MC Daleste: já baleado, cantor pediu foto para acalmar fãs

500x281_o_1arediia573o1r4o1o6b1gi31q8caJulho de 2013. Moradores do Condomínio CDHU no bairro San Martin, em Campinas, interior de São Paulo, aguardavam com ansiedade os preparativos para comemorar as festas juninas pelo sétimo ano consecutivo.

Anderson de Souza, presidente da associação que representa 14 mil moradores do bairro, contou que a organização, terceirizada nos últimos três anos, seria administrada por um parque de diversões.

A festa incluía brinquedos, barracas de comida, bebida e shows de funk com catraca livre às sextas-feiras, sábados e domingos. A associação recebia R$ 6 mil do parque de diversões, conforme declarou um dos proprietários Fábio Luiz de Alcântara, o Peteco.

Rogério Rodrigues de Oliveira era o encarregado de contratar os artistas. Ele também era produtor de funk na casa de shows Chapéu Brasil em Sumaré, interior de São Paulo.

Foi Rogério quem contratou o MC Daleste durante um evento na Chapéu Brasil e acertou o valor de R$ 5 mil de cachê.

Quanto à segurança do evento, o presidente da associação disse ter pedido rondas da Guarda Municipal e ter sido atendido nos primeiros dias, mas no show do Daleste os policiais só chegaram após o assassinato do cantor.

Sexta-feira, 6 de julho, dia do show

A agenda começaria com o show no CDHU San Martin. Depois seguiria para Capivari, Piracicaba e finalmente Hortolândia.

Rogério, produtor que contratou Daleste, foi ao encontro do artista no km 103 da rodovia Anhanguera. Daleste chegou em um Fiat Doblô seguido por Zoinho, amigo da equipe que dirigia um Golf vermelho.

Rogério, debruçado no vidro do carro do cantor entregou o dinheiro do cachê embrulhado num pacote e guiou o grupo até a festa. A equipe de Daleste estacionou atrás do caminhão onde 5.000 pessoas aguardavam sua chegada.

O DJ montou a bateria e microfone no palco e o show começou por volta de 22h30.

No caminhão-palco estavam o artista, seu irmão Mc Pet, seu empresário e cunhado, Marcelo, o DJ André Luis, os representantes da associação de moradores, Anderson e Orlando, os responsáveis pelo som, Gabriel e seu pai, e o casal de amigos do Daleste que acompanhavam a equipe.

Os disparos

Dona Veraluce assistia a novela deitada no sofá no cômodo de madeira da casa ainda em construção. Ela morava a poucos metros de onde o caminhão-palco foi instalado. Essa noite seu filho fazia um bico numa das barracas do evento.

Na mais próxima ao palco, a poucos metros da casa de Veraluce, Waldemar Lemos faturava vendendo espetinhos enquanto a técnica de enfermagem Nadia vendia ingressos na bilheteria do parque de diversões.

No palco, o apresentador Carlos Alberto anunciou o Mc Daleste como atração da noite.

Daleste já cantava a segunda música quando Anderson, representante dos moradores que estava no palco, ouviu um estampido e viu o artista fazer o gesto de ser atingido embaixo do braço. Parou a música e disse ao microfone “Tá tirando molecote?”.

A dúvida pairava. Anderson acenou para seu vice, que gesticulou confirmando se tratar de um tiro. José Francisco, outro morador, disse que era só uma “bombinha”. Para Anderson, Daleste acreditou nessa versão e retomou o show.

Dois minutos depois, ouve outro estampido. Daleste foi atingido no abdome e caiu ao chão. Houve correria e gritos de “É tiro, é tiro, acertaram o cantor”.

Dessa vez, Veraluce, ainda no sofá, achou que alguém tivesse jogado uma pedra no telhado de casa. Assustada com o barulho, correu até a rua onde viu a multidão em debandada. Muitos se abrigaram na sua construção. Ela correu até a barraca do filho.

O apresentador de palco Carlos Alberto caiu e feriu a perna no tumulto.

Anderson, da associação, achou que o cantor tinha sido atingido por algum objeto e só percebeu se tratar de um disparo ao ver o sangue escorrendo. Notou que um estilhaço da bala também acertou sua cabeça. Anderson foi para o hospital.

Na mesa de som, o DJ André Luis ouviu o primeiro disparo atingir a lataria do caminhão quando um técnico de som que estava ao lado disse “Esse barulho veio da sua mesa”. André retrucou.

Também no palco, o assistente Glauco Fabiano da Silva fotografava com celular e publicava imagens nas redes sociais.

Após Daleste cair, se apavorou e correu até o posto de gasolina Três Vias na rodovia Anhanguera a quase 2 km, onde recebeu água com açúcar de frentistas. Mais tarde, seria encontrado pelo produtor Rogério escondido no banheiro do posto em estado de choque. Rogério levou Glauco até o hospital.

Outra versão é a de que ele teria sido deixado no posto para dar lugar no carro ao desconhecido que guiou a equipe ao hospital de Paulínia.

Para Rodrigo Mc Pet, irmão de Daleste, e para o fotógrafo Renato Guariroba, os dois estampidos foram de disparos e perceberam, inclusive, que o cantor passou a mão pelo corpo no primeiro tiro.

Rodrigo acredita que os disparos vieram de perto, do lado esquerdo do palco. Nessa direção está a casa em construção de dona Veraluce e a barraca do sr Waldemar.

Socorro e morte

Irmão e fotógrafo levaram o cantor até o carro atrás do caminhão onde Marcelo tomou a direção da Doblô. André entrou no Golf de Zoinho e todos saíram rapidamente.

Renato lembra que Daleste chegou a pedir “Tira uma foto para o povo ver que eu to bem”.

No caminho, pararam num posto de combustíveis para pedir informação e um motorista se prontificou a guiar o grupo até o Hospital de Paulínia, levando aproximadamente 25 minutos para chegar, segundo Rodrigo. Logo depois, seu irmão entrou em cirurgia.

Um dos primeiros policiais a chegar ao hospital foi o PM Nelsino, que estranhou o comportamento dos membros da equipe do cantor. Declarou acreditar que estavam reunidos combinando o que iriam dizer para a polícia e percebeu que eles sabiam a verdade sobre o motivo do crime.

No hospital Marcelo disse “Pô neguinho, eu não queria fazer esse show”.

Daniel Sena Pellegrini, o Mc Daleste, faleceu oficialmente à 0h55 do dia 7 de julho de 2013.

Teria sido no hospital que a testemunha protegida do inquérito ouviu Marcelo e Rodrigo, cunhado e irmão respectivamente, discutirem acaloradamente e dizerem “Pô.., falei pra vocês não mexer com aquela menina que ia dar rolo. Olha só no que deu. Agora quero ver”.

Essa e outras frases dariam a entender que os dois conheciam a motivação do crime e não falaram por medo de as esposas descobrirem que eles também frequentavam casas de prostituição

Gravações abordando essas conversas levaram a Justiça a reabrir o caso, que estava arquivado.
Fonte:R7

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