Rondônia - 23 de outubro de 2018
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O caso Roberto Sobrinho merece, ao menos, uma profunda reflexão!

Não se sabe exatamente como começou, mas todos sabem quando terminou. A ascendente carreira política de Roberto Sobrinho, um professor que se deu bem na política, tornando-se um dos mais importantes nomes do Partido dos Trabalhadores em todo o norte do país, encerrou no dia em que, pouco antes de deixar o comando da Prefeitura de Porto Velho, ao final de um segundo mandato, ele foi denunciado e teve que deixar o cargo pela porta dos fundos. Não precisou mais nada para destruir uma vida pública que, ao menos até ali, era ilibada e vencedora.

Pouco antes, tinha um dos maiores índices de aprovação de um político em final de segundo mandato, em todo o país: mais de 70 por cento. Sobrinho sairia do cargo consagrado, com um pé na disputa pelo Governo do Estado, um ano depois e, mais que isso, com chances reais de chegar lá. Não chegou e provavelmente nunca mais o fará. Jogado na mídia como suspeito de uma série de crimes, ele passou os últimos cinco anos sob os olhares enviesados do eleitor que antes tanto o admirava.

Tentou concorrer novamente, sub judice, mas, é claro, não teve chance alguma. A prisão de Sobrinho, naquele 9 de abril de 2013, numa ação contra a corrupção em várias regiões do país, parecia ser o ápice de uma investigação séria e recheada de provas contra o ex Prefeito e vários membros da sua equipe, alguns que também foram presos e ficaram vários dias na cadeia. Todo o caso vai completar cinco anos. Há uma condenação em primeira instância contra Sobrinho, passível de vários recursos. Nada mais.

Nesta semana, mais uma das várias denúncias contra ele caíram por terra. Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, “atendendo determinação do Ministério Público Estadual”, realizou uma tomada de contas especial, nos convênios feitos então entre a Prefeitura e a Emdur. Era essa a principal denúncia contra o então Prefeito. Ela apontava uma série de irregularidades, de maracutaias, de desvio de dinheiro público, apontando o dedo para Sobrinho, que seria, pelas denúncias, o chefe de todo o esquema.

O que disseram os conselheiros do TCE, em decisão publicada no Diário Oficial do Estado, da última terça, dia 19? Que não encontraram uma só irregularidade contra Sobrinho. Assinaram um documento oficial, público, afirmando que todos os recursos destinados aos convênios com a Emdur, foram usados dentro das normais legais. Nada de irregular. Nada de desvios. Nada de conluios ou mal feitos. É mais um processo em que Sobrinho é isento de culpa.

A pergunta óbvia que fica é: quem vai ser responsabilizado por destruir não só a carreira política, mas a história de um cidadão, ao menos até agora preso e condenado pela opinião pública, sem ter sua culpa provada? O caso Roberto Sobrinho não merece, no mínimo, uma profunda reflexão?

RESPEITO À IMENSA MAIORIA

Bom senso. Respeito à população. Apoio ao comércio. A decisão do governo do Estado de emendar o feriadão de ano novo, antecipando a comemoração do aniversário do Estado de 4 para 2 de janeiro, é daquelas que merecem apoio de todos os setores da coletividade. Claro que serão contra os mesmos de sempre, que, afunde a economia ou não, têm seus salários depositados normalmente. Querem dois feriadões na mesma semana, porque não têm compromisso algum com o Estado, mas apenas consigo mesmos. Mas para todos os demais rondonienses, diminuir ao menos um pouco essa vergonhosa farra dos feriadões, que só beneficia funcionário público, mas ajuda a desestruturar toda a estratégia de faturamento das empresas, principalmente do comércio varejista, é decisão correta e das mais justas. O 2018 que vem aí será um recordista de feriadões e feriadões, prejudicando seriamente um país que precisaria trabalhar ou dobro ou o triplo, para sair da crise. Mas, quem pensa apenas em si (“nenhum direito a menos”!), quer mesmo que a baderna dos feriados continue tomando conta do Brasil. Esse raciocínio é triste e­ lamentável, mas verdadeiro!

O ENGODO DA INFLAÇÃO

A energia elétrica continua subindo. Somando-se todos os reajustes, ela pode ter chegado a mais de 35 por cento a mais, em relação a 2016, para milhões de brasileiros. A botija de gás subiu até 70 por cento em algumas regiões e hoje se transformou num dos mais cobiçados presentes de Natal. O salto da gasolina: mais de 40 por cento e continua aumentando, praticamente todos os dias. Os planos de saúde cresceram, em média, 16 por cento. Alguns medicamentos chegaram a aumentar até 120 por cento em apenas um ano. Daí, no meio deste festival absurdo de aumentos, exatamente em áreas vitais, os economistas e o governo continuam dizendo que a inflação vai fechar o ano com perto de 3 por cento. Mas para quem, cara pálida? Para quem vai comprar tomate na feira, porque ele baixou de preço? Ou para quem vai viver à base de alguns legumes que não aumentaram? Quer dizer que reajustes absurdos em áreas vitais, que realmente pesam no bolso do consumidor, são irrelevantes. Não importa que a botija de gás de 13 quilos esteja caminhando para os 100 reais e muitos brasileiros já esteja usando álcool para cozinhar seus alimentos? Contem outra, governistas e economistas!

VOOS INTERNACIONAIS

As melhorias no aeroporto de Porto Velho, até que enfim, parece que vão mesmo virar realidade. O governo fe3deral já liberou quase 6 milhões para a compra e instalação dos “finger”, sistema que leva os passageiros até a aeronave, acabando com o amadorismo dos guardas chuvas e filas sem fim no sol, caminhando pela pista, até o avião, num dos poucos aeroportos internacionais que ainda não tem esse sistema. Agora, o governo do Estado anuncia a liberação de outros 6 milhões e 800 mil reais no sistema de alfandegamento do Jorge Teixeira. Segundo o superintendente de Desenvolvimento de Rondônia, Basílio Leandro, com o recurso aprovado serão comprados vários equipamentos necessários para que a área internacional do aeroporto funcione a pleno. Será implantada uma esteira exclusiva para o setor de embarque e desembarque internacional; será feita uma divisão da sala hoje existente; será implantada uma autoclave para esterilização de equipamentos de voos internacionais e outros aparelhos. Agora, parece que estamos caminhando mesmo para a preparação do Jorge Teixeira para deixar de ser internacional só no nome. Grande avanço para o Estado!

O OCTOGENÁRIO NA CADEIA

Uma vida inteira de controvérsias, suspeitas, do “rouba, mas faz!”, da paixão de milhões de eleitores e do ódio de tantos outros. Aos 87 anos de idade, Paulo Maluf finalmente cai nas malhas da lei, agora na condição de prisioneiro para cumprir pena. Obviamente a sentença veio tarde demais, até porque um octogenário atrás das grandes causa mais comoção do que o sentimento de que a Justiça está sendo feita. Durante toda a sua longa (e vitoriosa) carreira política, Maluf viveu sob os holofotes da mídia e sob a suspeita de que estava enredado em inúmeros malfeitos. Seus seguidores, contudo, jamais aceitaram as denúncias contra ele. Condenado em vários processos, sempre escapou do cumprimento da sentença, graças ao gasto de fortunas com alguns dos melhores advogados do país. Agora, alquebrado e prestes a encerrar sua presença neste Planeta, Maluf aparece nas fotos, se entregando à polícia federal, para cumprir sua primeira sentença. Seu rosto triste, envelhecido, contraído, em todas as fotos, não esconde mais a idade avançada. Ficará na cadeia? Quanto tempo? A pena foi justa ou não? Maluf é mesmo o grande ladrão que dizem que ele é os seus adversários ou o político que mais fez pelo povo paulista, na história recente, como afirmam seus fãs, seguidores e eleitores? É, sim, uma figura enigmática. O Brasil levará muito tempo para esquecer Paulo Maluf.

PRIVATIZAÇÃO, ANTES QUE SEJA TARDE!

Tem funcionário ganhando mais de 23 mil reais por mês. Tem outros que ganham entre 20 mil e 23 mil. Há inúmeros exemplos. Uma vergonha, ainda mais numa empresa estatal que está quebrada e não vislumbra qualquer chance de se recuperar. Ainda assim, o Sindur, responsável por parte da destruição da empresa, não só ignora sua tenebrosa participação na pré falência da Caerd, como ainda continua exigindo benesses e se movimentando para que seus protegidos, que chegaram aos salários de marajás justamente no período da fatídica gestão compartilhada, quando a “cumpanheirada” tomou conta da estatal e de seus cofres. Usando de meias verdades e tentando empurrar a culpa pelo problema apenas para os dirigentes da empresa, incluindo os atuais, que já a pegaram em ruínas, o Sindur segue as mesmas palavras de ordem e as mesmas normas da República Sindicalista que tomou conta do país e que quase o destruiu. É bom que se reponha a verdade e a realidade dos fatos. Não há saída para a Caerd, a não ser a privatização. E assim mesmo terá enormes dificuldades, porque não se imagina que organização aceitaria assumir uma estatal praticamente quebrada. Mas se o governo puder se livrar dela, que o faça com urgência. Não tem outro caminho, lamentavelmente.

POVO ABANDONADO

Por falar em água, quem vai ser responsabilizado pela vergonhosa situação dos moradores do Bairro do Dnit, do lado de lá do rio Madeira, que estão há mais de 30 dias sem água em suas casas. Enganados de que teriam uma vila modelo, as cerca de 170 famílias que ali se instalaram tiveram água da Caerd durante dois anos. Depois, não se sabe por quais motivos, o sistema foi interrompido e todos começaram a receber água de um poço artesiano, que até recentemente, ao menos levava água para todos. Há mais de um mês, contudo, ou o poço secou ou ocorreu algum outro problema muito grave, para deixar todas as famílias simplesmente sem uma gota d´água. Sem explicações, os moradores, a maioria gente que não está nadando em dinheiro, pelo contrário, é gente pobre, tem que gastar uma média de 30 reais por dia para comprar água que chega em caminhões pipa de empresas privadas. As reclamações já foram feitas a todos os escalões, mas, é claro, ninguém deu bola. Agora, um grupo de moradores oficializou denúncia no Ministério Público Federal. Não há qualquer previsão para solução do problema.

PERGUNTINHA

O que você achou da decisão do ex Presidente Lula de anunciar uma viagem à África para 24 de janeiro, exatos dois dias em que ele será julgado em segunda instância e pode ser condenado a ir para a prisão?

Fonte:Sérgio Pires