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VIGILÂNCIA EM SAÚDE | Governo reforça ações de combate ao sarampo | RORAIMA

Entrevista coletiva sobre sarampo

Diante do surto da doença no país vizinho, Estado já vem realizando ações desde o ano passado e reforçará estratégias para auxiliar os municípios

Após a confirmação de um caso de sarampo em uma criança venezuelana imigrante em Roraima nesta terça-feira, 13, o Governo do Estado irá reforçar as ações de combate realizadas desde o ano passado, devido ao surto da doença no país vizinho. O maior desafio é vacinar tanto a população imigrante quanto a brasileira, na qual a cobertura vacinal está abaixo da meta. As ações de vacinação iniciaram nesta quarta-feira, 14, e serão reforçadas nos próximos dias.

Desde julho de 2015, o Brasil não registrava casos de sarampo. Em Roraima, o último registro havia sido no mês de janeiro daquele ano. Atualmente, a situação é mais preocupante, porque Roraima vive um risco iminente de surto, considerando a situação alarmante na Venezuela e a intensa imigração vinda daquele país para Roraima.

Como ação emergencial, o Governo do Estado iniciou na manhã desta quarta-feira, 14, uma ação de vacinação no abrigo do bairro Tancredo Neves, imunizando tanto crianças de um a dois anos, quanto adultos de até 49 anos. Ainda nesta semana, está prevista uma reunião com representantes do município para definição de um plano de ação, no qual o Estado prestará toda a assistência necessária aos gestores municipais, que são os responsáveis pelas ações de vacinação.

O secretário estadual de Saúde, Marcelo Batista, explicou que, além das doses de vacina já distribuídas aos municípios, a Sesau (Secretaria Estadual de Saúde) possui 17 mil doses em estoque, e solicitou mais 20 mil do governo federal, em caráter de emergência, para reforçar a cobertura vacinal. “A maioria dos municípios não alcançaram 95% da cobertura preconizada pelo Ministério da Saúde. Em Boa Vista, onde foi registrado caso confirmado de sarampo, essa cobertura está em aproximadamente 85%. Então é preciso reforçar essas ações”, disse.

Batista adiantou que o Governo do Estado está planejando ainda uma campanha de vacinação completa em todos os municípios, não só para o sarampo, mas para todas as vacinas que compõem o Calendário de Vacinação, as quais os municípios também não estão conseguindo atingir a cobertura desejada. De maneira geral, considerando adultos e crianças em todas as vacinas, Boa Vista, que é o município mais populoso, possui apenas 46% de cobertura. A ação estava prevista para março, mas pode ser adiantada.

A governadora Suely Campos pediu ainda diretamente ao presidente Michel Temer, durante visita dele ao Estado na segunda-feira, 12, a implantação de barreira sanitária e de vacinação em Pacaraima e edição de um ato normativo que torne obrigatória a vacinação de estrangeiros para o ingresso no Brasil, pela fronteira de Roraima.

A coordenadora estadual de Vigilância em Saúde, Daniela Souza, esclareceu que, desde setembro do ano passado, o Estado tem reforçado as ações de prevenção, quando foram enviadas notas técnicas para os municípios para reforçar a vigilância da doença. “Também realizamos um treinamento com médicos de todos os municípios e unidades de saúde estadual para diferenciar o diagnóstico do sarampo de outras doenças com sintomas parecidos”, frisou.

SARAMPO – O sarampo é uma doença infecciosa aguda, viral, transmissível, extremamente contagiosa e mais comum na infância. Os sintomas iniciais são: febre, tosse, irritação ocular e manchas avermelhadas. A transmissão ocorre diretamente, de pessoa a pessoa, geralmente por tosse, espirros, fala ou respiração, por isso a facilidade de contágio da doença.

A única forma de prevenção é a vacinação. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina tríplice viral, que evita o sarampo, a caxumba e a rubéola. A primeira dose deve ser tomada aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, é necessária uma dose da vacina tetraviral, que corresponde à segunda dose da vacina tríplice viral mais uma dose da vacina contra a varicela. Caso haja atraso na vacinação, pessoas de até 49 aos de idade podem se vacinar. A orientação é que a população fique atenta ao cartão de vacinação e procure o posto de saúde mais próximo, caso alguém não esteja vacinado.