Rondônia - 9 de dezembro de 2018
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Estudo mapeia o setor de microcervejarias no Paraná

Um estudo inédito realizado por meio de projeto do Sebrae no Paraná, da Associação das Microcervejarias do Paraná (Procerva) e da Faculdade Guairacá mapeou o setor de microcervejarias artesanais no estado. O levantamento identifica a localização das empresas, o perfil socioeconômico dos empresários, principais estilos produzidos, capacidade produtiva instalada, canais de distribuição, entre outras informações do setor.

O estudo aponta que a maior densidade de fabricantes está em Curitiba e Região Metropolitana, com 26 empresas, e também, nos Campos Gerais, com 11 fábricas. Há polos cervejeiros também no norte, no sul e na região oeste do Paraná, com relevância e tradição no ramo. O levantamento mostra que 27% das empresas estão no mercado há mais de sete anos, 23% têm entre 3 a 5 anos de atividades, 22% atuam entre 1 a 3 anos, 17% têm entre 5 a 7 anos de atuação e 11% estão há menos de um ano no mercado. Dentre os estilos mais produzidos estão IPA (73,8%), Pilsen (64,6%), Weizen (58,5%), APA (44,6%) e Witibier (32,3%). Além disso, o mapeamento aponta que 58% das cervejarias produzem exclusivamente para suas próprias marcas e 34% terceirizam a produção para outras marcas, também conhecidas como marcas “ciganas”.

A capacidade de produção instalada também foi apurada, e 40% dos entrevistados responderam que podem produzir até 10 mil litros/mês. Outros 38% afirmaram ter potencial de produção entre 10 mil a 50 mil litros, mensalmente.

A maioria dos empresários envolvidos na produção de cerveja artesanal no Paraná tem nível Superior completo (54%), 26% têm pós-graduação e mestrado, 9% possuem Ensino Médio completo, 5% não concluíram o ensino superior, 5% concluíram doutorado e 1% têm formação técnica. ”Com relação à escolaridade do público entrevistado, temos dados impactantes, pois mostram um setor com alto grau de escolaridade se sobressaindo no mercado com produtos inovadores”, comenta Janete, da Faculdade Guairacá.

O Facebook aparece como o principal canal de divulgação dos produtos, com 27,6%. Outros 17,5% apostam no Instagram, enquanto que 15,6% investem em eventos para divulgar a marca. 12,5% das empresas têm site próprio e 11,6% participam de feiras. O mapeamento mostra ainda o recipiente de envase utilizado pelas microcervejarias artesanais: 52% delas usam somente barril, 34% barris e garrafas, 6% barril, garrafa e lata, 5% barril, garrafa e growler e 3% apenas garrafa.

Para o sócio proprietário de uma cervejaria instalada em São José dos Pinhais, Eduardo Vosgerau, conhecer quantos são, onde estão mais concentrados e saber mais sobre o perfil dos empresários do segmento é importante para expandir a área de atuação. “São informações que podem ajudar a área comercial a formar sua estratégia e a saber onde pode atuar com mais força”, diz.

Eduardo conta que o gosto pela produção de cerveja artesanal começou com pequenos lotes de cerveja feitos em casa. O hobby evoluiu para uma produção maior e hoje já são cinco rótulos disponíveis. “É um segmento que vem passando por um crescimento substancial no Brasil, mas que ainda representa 1% do mercado consumidor de cerveja. As informações que temos é que o potencial do mercado atingirá 20% nos próximos anos”, acrescenta. Atualmente, a empresa conta com uma equipe de 10 profissionais e a ideia é incrementar esse quadro e os estilos de cervejas.

Maurício Gusso, gerente de cervejaria em Curitiba, o estudo também pode ser utilizado de forma estratégica pelos empresários do setor no sentido de expandir mercado. A cervejaria curitibana, que está no mercado desde 2002, foi uma das primeiras a se instalar na capital do Estado. “Mostramos ao nosso púbico que a produção está cada vez mais moderna e que, além de Curitiba e Região Metropolitana, pretendemos expandir para outras regiões”, projeta.

Estudo

O levantamento, realizado dentro do projeto de Potencialização das Cervejarias Artesanais, foi produzido por meio de uma cooperação técnico-científica entre as instituições. Foram pesquisadas 65 empresas no Paraná, de setembro a dezembro de 2017. Para a coordenadora do curso de Administração, da Faculdade Guairacá, Janete Probst Munhoz, o estudo pioneiro no estado permitiu o mapeamento de 100% das empresas dentro do período de pesquisa, com a identificação do quantitativo de negócios. “São informações importantes e de interesse do Sebrae e da Procerva, como de qualquer outra entidade que trabalhe em favor do crescimento do mercado e do setor”, pontua. O estudo envolveu acadêmicos de Administração e Psicologia na coleta de dados.

Os dados, conforme explica a consultora do Sebrae no Paraná, Michele Riquetti Tesser, são um ponto de partida para compreender e acompanhar o desenvolvimento do segmento. “Trata-se de um setor carente de informações para embasar novos estudos que auxiliem na tomada de decisões estratégicas por parte das empresas que compõe o segmento”, avalia Michele. As informações também podem auxiliar na elaboração e oferta de soluções com foco na profissionalização das empresas e ampliação do mercado, seja através do projeto de Potencialização das Cervejarias Artesanais, iniciado em 2017, ou outras instituições interessadas em contribuir com a área.

O presidente Procerva, Richard Buschann, destaca a importância do levantamento no sentido de quantificar o setor, mostrar as regiões com maior densidade de empresas e acompanhar o crescimento do segmento. “Com dados monitorados podemos ter ações mais assertivas em relação ao mercado”, comenta. Ainda conforme Richard, o mapeamento permite identificar regiões onde o segmento ainda não é explorado, permitindo ampliar o número de clientes e de mercado.

AçõesA consultora do Sebrae no Paraná, Michele Tesser, explica que o projeto de potencialização das cervejarias artesanais, lançado em 2017 pelo Sebrae no estado, tem como foco a qualidade sensorial das cervejas produzidas, acesso a mercados, tecnologia e inovação e gestão de excelência. O projeto terá continuidade em 2018, com a concentração de ações específicas em 30 empresas.

As ações do projeto Da Panela por Mercado, que compreende um ciclo de capacitação para empreendedores potenciais do ramo de cervejas artesanais, terão início em abril, nas cidades de Curitiba e Ponta Grossa. Outra ação é avançar no mapeamento das cervejarias ciganas, que são aquelas que produzem em plantas de terceiros. No endereço eletrônico http://www.sebraepr.com.br/PortalSebrae/Arquivos-Gratuitos/Mapa-das-Microcervejarias é possível acessar os dados do estudo.