Rondônia - 26 de setembro de 2018
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DOAÇÃO DE “VIDAS” | Primeira captação de órgãos é realizada em Roraima | RORAIMA

Captaçao Orgãos (1)

Transporte dos órgãos foi feito por uma equipe de Brasília em uma aeronave da FAB

A dor de uma família roraimense pela perda de um ente querido será transformada em vida nova para até nove pessoas. Pela primeira vez, foi realizada uma captação de órgãos em Roraima, o que irá beneficiar pessoas que aguardam na fila por um transplante. O procedimento foi realizado no HGR (Hospital Geral de Roraima), na madrugada deste sábado, 24.

Após cerca de 30 horas do diagnóstico de morte encefálica da paciente e mais de três horas de cirurgia, foram captados fígado, dois rins, duas córneas, e quatro válvulas cardíacas.

Uma equipe multiprofissional vinda de Brasília-DF chegou a Boa Vista a 1h40 deste sábado em um voo da Força Aérea Brasileira para realizar a retirada. O procedimento iniciou por volta das 2h20. Correndo contra o tempo, a equipe fez a captação e deixou a unidade por volta das 5h30 rumo ao Distrito Federal. Os receptores são indicados pela Central Nacional de Transplantes.

O secretário estadual de Saúde, Marcelo Batista, enfatizou que este é um momento histórico para Roraima. Segundo ele, foram vários anos de preparação até que a captação de órgãos fosse uma realidade. Agora, o próximo passo será realizar os transplantes aqui no Estado. “A governadora Suely Campos determinou que fosse dada total prioridade para garantir a doação de órgãos no Estado. Agradecemos o empenho de toda a equipe do HGR e principalmente ao gesto da família, que, neste momento de dor, colaborou com todo o processo para garantir vida nova a até nove pessoas”.

Mais de 100 pessoas participaram de todo o processo para a captação. Destes, dez estiveram envolvidos diretamente na cirurgia, considerada de grande complexidade, a qual contou com toda a estrutura já existente no HGR.

Segundo o diretor geral do HGR, Samir Xaud, o empenho da equipe do hospital foi fundamental para o procedimento, no entanto, a família teve um papel crucial, pois, além de autorizar a doação, contribuiu de todas as formas possíveis para a ação. “Agradecemos à família pela compreensão enquanto era providenciada toda a logística. Parabenizamos a equipe do HGR, que não mediu esforços para concretizar a captação”.

Entenda como funciona a doação de órgãos

Autorização – Após o diagnóstico de morte encefálica, a família é consultada e orientada sobre o processo de doação de órgãos. Depois de seis horas de atestada a falência cerebral, o potencial doador passa por vários testes clínicos para confirmar o diagnóstico. Em seguida, a família é questionada sobre o desejo de doar os órgãos.

Mensagens por escrito deixadas pelo doador não são válidas para autorizar a doação. Por isso, apenas os familiares podem dar o aval da cirurgia, após a assinatura de um termo. De acordo com o Ministério da Saúde, metade das famílias entrevistadas não permite a retirada dos órgãos para doação. Por isso, é importante conversar com a família ainda em vida para deixar claro esse desejo.

Captação – De um mesmo doador, é possível retirar os seguintes órgãos para transplante: coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele e ossos. Com isso, inúmeras pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos de um mesmo doador.

Na Central Nacional de Transplante, os dados informatizados do doador são cruzados com os das pessoas que aguardam na fila pelo órgão para que o candidato ideal, conforme urgência e tempo de espera seja encontrado em qualquer parte do país.

Os profissionais envolvidos no processo trabalham em contagem regressiva para não ultrapassar o tempo limite para a retirada dos órgãos e também para a preservação dos mesmos durante o transporte.

Transporte – Quando a doação é entre pessoas de Estados diferentes, o Ministério da Saúde viabiliza o transporte aéreo dos tecidos e órgãos. A pasta tem um acordo voluntário de cooperação com companhias aéreas para assegurar o translado. As empresas transportam os órgãos gratuitamente em voos comerciais, ou isso pode ocorrer com emprego da Força Aérea Brasileira (FAB).

Recuperação – Após o transporte, a unidade recebedora precisa confirmar se o órgão foi transplantado com sucesso e se não, explicar os motivos. Depois de transplantado, o paciente tem um pós-operatório semelhante ao de outras cirurgias. A estimativa do Ministério da Saúde é de que a sobrevida dos pacientes depois de cinco anos da cirurgia é de 60% nos casos de transplante de fígado e pulmão; 70% para cirurgias de substituição do coração; e 80% para os transplantes de rim.