Minoria vai priorizar projetos sobre segurança pública e tributação de fortunas e atuar contra privatização da Eletrobras

Gilmar Felix / Câmara dos Deputados

Guimarães:  temos dialogado com presidente da Câmara e vamos discutir ponto a ponto aquilo que interessa ao Congresso e à Câmara Deputados

O deputado José Guimarães (PT-CE) será novamente em 2018 o líder dos partidos de oposição ao governo do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados.

O líder da Minoria avalia que o ano eleitoral fará com que as votações no Congresso se limitem ao primeiro semestre do ano. “Segundo semestre é eleição” e “não se vota mais nada”.

Com menos tempo para aprofundar os debates, Guimarães acredita que os partidos de oposição deverão focar em três objetivos: retomar o protagonismo sobre o tema da segurança pública; impedir a privatização da Eletrobras; e estabelecer um processo progressivo de tributação de grandes fortunas.

No PT desde 1985, José Guimarães é advogado e está no terceiro mandato de deputado federal. Durante o governo Dilma Rousseff, atuou como líder do governo na Câmara. É irmão do ex-deputado José Genuino, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores e ex-deputado federal pelo Estado de São Paulo.

Leia abaixo a entrevista concedida pelo novo líder à Agência Câmara.

Quais as prioridades da bancada em 2018?
A oposição vai trabalhar os três grandes temas que atendem ao interesse nacional. A questão da segurança: tirar do governo essa ação midiática eleitoral e traduzir aqui no Parlamento as ações que são necessárias para discutir projetos e consolidar um plano nacional de segurança pública integrado, que envolva estados e União. Não pode ficar o governo neste faz-de-conta, que é o que ele está fazendo com a intervenção no Rio de Janeiro. O segundo ponto é a luta para impedir a privatização da Eletrobras. A pauta das privatizações que o governo quer introduzir como agenda econômica nós não podemos aceitar. Outro tema é o debate sobre a questão tributária. Os municípios estão sufocados. Precisamos de uma reforma tributária que privilegie uma melhor repartição dos recursos e que estabeleça um processo progressivo de tributação das grandes fortunas.

Há espaço para a votação da pauta econômica este ano?
É um ano curto, um ano eleitoral, e nós temos 3 meses no primeiro semestre e no segundo semestre é eleição. Se não votarmos uma agenda até o fim de maio, até 15 de junho, não se vota mais nada. Na verdade, o governo está com uma conversa afiada que quer votar a pauta econômica. O governo quer votar é a privatização da Eletrobras, porque o governo inventou uma lista de projetos que já estão tramitando aqui na Câmara desde 2003. Isso não é pauta de governo, é pauta da Câmara. Nós temos dialogado com presidente [da Câmara], Rodrigo Maia, e vamos discutir ponto a ponto aquilo que interessa ao Congresso e à Câmara Deputados.

A reforma da previdência está definitivamente derrotada?
Caiu! Não tiveram coragem de assumir que ela [reforma da Previdência] não ia para frente que não tinha, não tem e nunca terá voto. Ficaram o tempo todo dizendo para o mercado que iriam votar, quebraram a cara e houve a desmoralização do País. Agora as agências [de análise de risco] estão rebaixando a nota do País. Esse governo não tem força. É um governo fraco, que não tem base aqui dentro e nem apoio da população.

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