Rondônia - 20 de setembro de 2018
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Competição tecnológica apresenta novidades ao produtor rural do Estado | São Paulo

A tecnologia aplicada ao agronegócio e à originalidade de projetos para atender a demanda no campo esteve presente no AgriFutura, realizado na capital paulista em março. O evento contou com 24 startups e o “Hackathon AgriFutura”, no qual doze equipes com cinco membros estudaram propostas e apresentaram soluções para o clima, doenças e pragas, comercialização e em relação à extensão rural.

As três equipes mais bem avaliadas foram premiadas. Antes mesmo de conhecer as startups, os visitantes puderam participar, no estande da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de uma experiência em realidade virtual e acompanhar o processo de produção do café.

Três vídeos, em tecnologia 360 graus e produzidos pela Embrapa Rondônia, promoveram a interação do público com a cultura do café. Os conteúdos foram exibidos com o uso de óculos de realidade virtual, para proporcionar uma verdadeira imersão do espectador.

Inovações

Ao caminhar, o visitante encontrava uma tenda dedicada às startups, empresas jovens que buscam explorar atividades inovadoras no mercado, como no caso como da empresa CowMed, que apresentou uma coleira que serve como “plano de saúde” da vaca. Leonardo Guedes, um dos sócios-proprietários, explicou sobre o desenvolvimento da coleira e de que forma o equipamento auxilia o produtor que investe na pecuária leiteira.

“O equipamento é uma coleira com chip, posicionada próxima à mandíbula do animal, que monitora por quanto tempo a vaca rumina, qual distância caminha, detecta quando o animal precisa ser examinado, se há algo de anormal com a saúde, se está próxima do período de cio, entre outras informações”, explica.

Os dados coletados são enviados para um software onde o produtor pode acessar via internet em qualquer lugar do mundo. Além disso, o produtor pode receber também avisos diretamente no smartphone, por meio de mensagens de texto.

As informações sobre cada vaca podem alertar o produtor, por exemplo, em relação à detecção de partos. “O produtor consegue saber quando o animal vai dar à luz, de oito a dez horas antes do parto. Além disso, pela variação da ruminação, é possível alertar o produtor se o animal ficará doente”, acrescenta Leonardo Guedes.

Outra novidade apresentada foi o controle de irrigação inteligente. O diretor de operações da empresa responsável, Elton Franco de Sousa, afirma que o agricultor pode acionar e acompanhar o funcionamento dos pivôs de irrigação à distância, por meio de um smartphone, receber alertas em caso de parada inesperada, tentativas de furtos e quedas de energia. “No fim da safra, a plataforma pode gerar relatórios sobre o funcionamento do equipamento, tendo como resultado a quantidade total de horas e milímetros irrigados. Tudo isso para ajudar no planejamento da safra seguinte”, afirma. Com a pressão constante na tubulação do pivô, é possível obter até 40% de economia de energia, segundo a empresa.

Hackathon

Uma verdadeira maratona de conhecimento, que durou cerca de 20 horas, estimulou os jovens a estudar propostas e apresentar soluções para diversos temas, sempre com o auxílio de técnicos e pesquisadores. Thiago Pinheiro, coordenador do “Hackathon”, avalia que a experiência foi incrível. “A mistura de várias habilidades, entre profissionais do ramo e estudantes, fez com que as equipes criassem projetos inovadores”, diz.

As propostas foram avaliadas por cinco juízes, que atuam na Secretaria de Agricultura e Abastecimento, SP Ventures, ABStartups, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e na John Deere. As propostas foram julgadas levando em conta quatro critérios: coerência com o tema, originalidade, impacto e execução.

Para José Luiz Fontes, dirigente da Assessoria Técnica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e um dos juízes da competição, o evento é de importância nacional. “Não há mais um espaço para negligenciar a questão da eficiência da produção, por exemplo. A iniciativa do hackathon e a qualidade dos trabalhos apresentados mostra que o Brasil tem potencial para ingressar de vez na agricultura 4.0”, opina.

Após a avaliação dos juízes, a equipe Campo Tracker saiu vitoriosa. Os membros do grupo apostaram no tema transporte e apresentaram uma ferramenta que consiste na instalação de “tags” em cada embalagem de produto agroquímico, que é monitorado desde a expedição, passando pelo ponto de venda e chegando até a propriedade do agricultor.

“Com isso é possível evitar a falsificação e permitir a rastreabilidade total do produto”, explica Daniel Penteado, um dos membros do time, que espera validar a tecnologia e disponibilizá-la ao mercado. Cada integrante da equipe foi premiado com uma TV de 40 polegadas.