Rondônia - 26 de setembro de 2018
Home / Notícias / destaque / O inferno de Dante, uma via crucis diária: é oque o serviço público que o Brasileiro recebe

O inferno de Dante, uma via crucis diária: é oque o serviço público que o Brasileiro recebe

Às vezes, parece um filme de terror, uma história surreal diária. Todos os dias, o cidadão, o contribuinte, aqueles que pagam os maiores impostos do mundo e tem as piores contrapartidas do Planeta, percorrem órgãos públicos municipais, estaduais e federais para enfrentar sua vida crucis. Engolidos às vezes por má vontade de servidores (o que é menos comum), mas sempre e principalmente pela burocracia infernal, criada exatamente para abrigar apaniguados, ampliar empregos para amigos e parceiros e se lixar para as necessidades do povo; para criar dificuldades, porque através delas pode-se vender facilidades, o pobre cidadão ou a coitada da cidadã voltam às suas casas, muitas vezes, muito pior do que saíram. Não conseguem resolver seu problema. Não conseguem ser atendidos em postos de saúde. Enfrentam filas enormes em órgãos de prestação de serviço e, a não ser que se tenha algum amigo, algum dedo poderoso, alguém do tipo “sabe com quem você está falando?”, têm que chegar na madrugada para pegar senhas e, ainda, rezar para todos os santos para que, quem sabe uma hora ou quem sabe outro dia ou no mês que vem ou no ano que vem, possam ser atendidos e ter suas necessidades atendidas. Coisas simplórias como tirar uma carteira de habilitação (caríssima, absurda, com preço de Primeiro Mundo para um país de Terceiro) ou conseguir uma segunda via de uma simples Carteira de Identidade ou até a mais comum das ferramentas, receber uma Carteira de Trabalho, pode ser mais difícil do que enfrentar o Inferno de Dante ou o Minotauro, que Teseu teve que enfrentar no labirinto.

Os burocratas, muitos deles contando apenas o tempo que falta de voltar para casa e se livrar do inferno, que é atender multidões todos os dias, não foram feitos para pensar. Apenas seguem ordens e o que está no roteiro, por mais idiota que ele seja. Como por exemplo não se aceitar a Carteira de Habilitação como documento de identidade, embora ele seja reconhecido em todo o país. Ou como exigir, para quem foi roubado ou perdeu sua identidade, uma segunda via do Certificado de Serviço Militar, mesmo que a pessoa já tenha mais de 60 anos e, para essa faixa etária, o documento não exista mais. Ou quando um malandro de ar condicionado inventa que criar um kit primeiros socorros vai resolver o problema do trânsito no Brasil, obrigando milhões de idiotas a irem correndo às farmácias, enriquecendo alguns bolsos e, tempos depois, com a extinção do absurdo, o pobre otário ainda ver que ninguém sequer foi processado, quem dirá preso! Ou assistir, todos os dias, sermos feitos de idiotas, com as raras exceções de sempre. É este o país que jogaram no nosso colo. É este o país que nós aceitamos passivamente. Os burocratas, a burocracia, os corruptos e os corruptores, os incompetentes e os malandros estão vencendo de goleada. Pobre povo brasileiro! (Sérgio Pires)

UMA HISTÓRIA MUITO ESTRANHA

Enquanto o Tribunal de Contas de Rondônia trata o assunto como segredo de Estado, já que não se pronuncia publicamente, nada informa e nada comenta, o caso do pagamento de 46.800 reais por uma hora de palestra ao ministro do STF, Luís Roberto Barroso, tem mais um capítulo na mídia nacional. O advogado maranhense Pedro Leone de Carvalho ajuizou uma ação popular, nesta segunda, pedindo que a Justiça impeça que o pagamento seja feito e que, se feito, seja devolvido. Entre as alegações, ele diz que a contratação foi ilegal, pois feita sem a devida concorrência pública e, além disso, os 46.800 extrapolam em muito o teto constitucional de 33.763 reais, que poderiam ser pagos a um magistrado. Ao mesmo tempo, nota da Editora Fórum, que representa os interesses do Ministros, diz que Luís Barroso “ jamais teve conhecimento, autorizou ou assinou qualquer tipo de contrato com o Tribunal de Contas de Rondônia. E que muito menos recebeu ou está em vias de receber qualquer valor pago por aquele órgão!”. Ué, mas e o contrato publicado no Diário Oficial, autorizando a contratação e o pagamento, inclusive com aval da Procuradoria Geral do Estado? Não está na hora de uma explicação clara e transparente?

CANDIDATÍSSIMO EM OUTUBRO

Com a posse de Daniel Pereira no Governo, certamente vai mudar um pouco o quadro da sucessão estadual. Ele é candidatíssima à reeleição. Claro que não fala sobre o assunto, diz que é muito cedo, que sua única preocupação é apenas fazer um governo de oito meses de qualidade e resultados positivos. Mas Daniel é um político. E desde que surgiu a possibilidade de ser Governador, ele tem ouvido de companheiros do PSB, de aliados, de eleitores, de amigos, que não pode deixar de disputar a sucessão estadual e buscar um mandato de mais quatro anos. Há apenas um obstáculo nesse projeto, que, mais cedo ou mais tarde se tornará realidade. Ele se chama Acir Gurgacz. Daniel tem um acordo político com Gurgacz, para apoiá-lo ao Governo. Os eventos, mais uma vez, vieram em socorro do projeto outubro 2018 de Daniel. Acir está com condenação em segundo grau e, se não conseguir revertê-la a tempo, fica inelegível. Há quem diga que, apesar dos advogados do senador pedetista estarem bastante otimistas, o momento e a forma como a Justiça tem decidido contra os políticos podem prejudicar Acir e beneficiar Daniel. Em breve, saberemos o rumo dessa história.

CONFÚCIO EXIGIU DANIEL

O novo governador vem de família humilde, de pequenos agricultores, do interior do Estado. Sua família conseguiu comprar uma pequena terra em Cerejeiras, numa área de difícil acesso e onde sequer se sonhava em ter uma estrada. De lá para cá, com esforço, dedicação, trabalho duro e sorte, Daniel Pereira foi crescendo na vida. Duas vezes deputado estadual, tornou-se um dos nomes importantes do PSB. Quando o então presidente regional Mauro Nazif fechou acordo para apoiar a candidatura à reeleição ao Governo de Confúcio Moura, ficou decidido que o vice seria indicado pelos socialistas. Mas Confúcio fez uma exigência. Só aceitaria o acordo se o vice fosse Daniel Pereira. O pedido foi aceito. Por volta da meia noite antes do prazo final da indicação do nome, Nazif comunicou a Daniel a exigência de Confúcio. Ele topou, embora tivesse outro plano na ocasião: disputar uma cadeira à Câmara Federal. No final das contas, os dois foram eleitos, Confúcio renunciou para disputar o Senado e a estrela da sorte de Daniel brilhou de novo. Ele é o novo Governador de Rondônia e está habilitado para tentar ser também o próximo.

DISPUTA AO GOVERNO VAI FERVER

Caso Daniel entre mesmo na corrida pelo Palácio Rio Madeira/CPA em outubro, o que é muito provável, a disputa pelo Governo vai esquentar ainda mais. Até agora, todas as pesquisas apontam a liderança do ex governador Ivo Cassol, que tem grandes chances de conseguir o aval da Justiça Eleitoral para entrar na briga. Daniel vai se unir a Confúcio, para tentar diminuir o ímpeto do senador de Rolim de Moura, que é uma espécie de fenômeno eleitoral. Eles terão pela frente, também, um nome que vem crescendo cada vez mais em todas as regiões: o do presidente da Assembleia Legislativa, Maurão de Carvalho, que chegará como candidato ungido pelo poderoso MDB, o maior partido de Rondônia. A situação de Acir Gurgacz é ainda ao menos nebulosa, pela condenação recente, mas se ele entrar mesmo na briga, embola tudo. É nome poderoso em várias regiões e tem um eleitorado fiel. Correndo por fora e ainda sem saber se disputará o Senado ou o Governo, pode vir Expedito Júnior, outro político quentíssimo nas urnas. O jovem Vinicius Miguel é nome novo nesta corrida. Ele vem como uma cara nova, pela Rede, o partido de Marina Silva. Terá alguma chance? Vem ainda mais gente por aí. Vamos esperar para ver.

ARIQUEMES VEM COM TUDO

Pelas bandas de Ariquemes, haverá pelo menos duas dezenas de candidatos à Assembleia Legislativa, na cidade e na região. O prefeito Thiago Flores, recém cooptado pelo PSL, chegou a ser sondado pelo partido para disputar o Governo, mas obviamente preferiu o bom senso de dizer não e permanecer à frente da Prefeitura, para cumprir seu mandato e realizar os projetos que se comprometeu perante sua comunidade. Já outros dois nomes conhecidos estão prontos para entrar na disputa por cadeiras na Câmara Federal. Um deles é o atual vereador, ex senador, ex deputado federal e ex prefeito da cidade, o polêmico Ernandes Amorim. Ele assinou ficha com o PR, na sexta-feira, caindo fora do PTB. Ingressa no partido comandado no Estado pelo deputado federal Luiz Cláudio, com potencial para voltar ao Congresso. Outro ariquemense que volta com muita vontade de conquistar uma vaga na Câmara, é o empresário e ex deputado Tiziu Jidalias, que concorrerá pelo Solidariedade. De Ariquemes também, vem um nome peso pesado na eleição de outubro: o do ex prefeito e agora ex governador Confúcio Moura, que quer ser senador.

HÉVERTON FICA ONDE ESTÁ

De um lado, comemora-se. De outro, lamenta-se. A decisão do procurador do Ministério Público, Héverton Aguiar, de permanecer na sua função e, ao menos agora, não participar do processo político, está tomada. A população rondoniense, a quem ele presta um serviço da mais alta qualidade, como defensor da sociedade, de certa forma comemora a decisão, porque o MP rondoniense continuará tendo, ainda por longo tempo, um dos seus mais destacados nomes. O mundo político fica com o lamento da ausência de uma cara nova, com um rico currículo e com uma vida ilibada, recheada de conquistas na sua área. O Podemos era o partido que estava mais próximo de Héverton Aguiar, embora ele tenha recebido convites de várias siglas. Com a desistência, o partido terá que buscar outras opções e decidir se manterá seu projeto de lançar candidatura própria ao Governo ou não. Ao Senado, o nome do Podemos é o do agente federal aposentado Bosco da Federal. Um dos nomes fortes do partido é o do jovem deputado Léo Moraes, candidatíssimo à Câmara Federal.

PERGUNTINHA

Você concorda ou não que o governador Daniel Pereira deva dar mais espaço no governo aos seus aliados políticos, inclusive nomes do PT, que querem cargos na administração estadual?

Fonte:Sérgio Pires