Rondônia - 27 de Abril de 2018
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Sobe para 270 a média mensal de pacientes atendidos em casa pelo Samd em Porto Velho

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Enfermeira Mariana e médica Paula atendem Wanderlei Magalhães na casa dele, no bairro Nova Porto Velho

O mestre de obras Wanderlei Magalhães de Andrade, a mulher, Luciene e o filho Ian se preparavam para almoçar, na Sexta Feira Santa, em 14 de abril do ano passado, quando sofreu infarto fulminante em casa, teve parada respiratória e ficou totalmente inconsciente.

Em setembro daquele ano, a Equipe Samaúma do Serviço de Atendimento Médico Domiciliar (Samd) passou a visitá-lo e atendê-lo frequentemente. Wanderley, 51 anos, é um dos 270 pacientes sob cuidados do Samd e das respectivas famílias. Essa é a média de atendimento mensal de cirurgiões dentistas, fisioterapeutas, educador físico, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas, psicólogos, motoristas e servidores administrativos.

O Samd, cuja sede funciona no bairro Cidade Nova (zona sul), é um modelo rondoniense norteado pelo Programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde. Tem cinco equipes que trabalham diariamente a partir das 7h. “Em algumas situações já ficamos em casas de pacientes até 21, 22h”, conta a enfermeira Mariana Aguiar.

O território de atuação da Equipe Samaúma compreende os bairros Aponiã, Embratel, Esperança da Comunidade, Flodoaldo Pontes Pinto, Lagoinha, Guajará, Lagoa Azul, Nova Porto Velho, Pedacinho de Chão, Planalto e Teixeirão.

No geral, durante o exercício de 2016, o governo estadual destinou ao Complexo Saúde R$ 6,6 bilhões, obtendo o incremento de 10,13%. Já em 2017, reservou R$ 7,3 bilhões, 23,41% a mais.

DRAMA DE AUTÔNOMO

“Estou vivendo cada dia e buscando compreender a situação, não penso muito no passado, nem no futuro”, diz Luciene.

Wanderlei veio de Humaitá (AM) aos 14 anos, foi motorista a serviço de empresa terceirizada pela Eletronorte e depois entrou no ramo de construção. Não lhe faltavam serviços, conta a mulher.

Formada em letras, Luciene se obrigou a deixar o trabalho em 2017. Anteriormente, trabalhou em diversas escolas estaduais da Capital e de Candeias do Jamari, sempre sob o regime de contratos emergenciais.  “Só na João Bento passei dez anos”, diz.

Ao consultar Wanderlei na manhã de sexta-feira (13), a enfermeira Mariana constatou que a incursão respiratória por minuto (irpm) estava na frequência 18, estabilizando-se; já esteve em 28.

A rotina da casa mudou: Ian, 10, continua frequentando o 5º ano escolar, mas a mãe largou tudo para se dedicar aos cuidados com o marido durante 24 horas, na Avenida Alexandre Guimarães, bairro Nova Porto Velho.

Embora more numa boa casa própria, o casal perdeu a renda. Com isso, Luciene alugou um cômodo nos fundos. Sabe que não pode sair de casa um só minuto. “Um desafio que procuro vencer com a ajuda de Deus”, comenta verificando anotações do Samd numa folha de papel afixada ao lado da cama de Wanderlei.

Entre as despesas, ela explica ter comprado muitos pacotes de fraldas geriátricas, cujo pacote custa acima de R$ 40.

Wanderlei é autônomo e essa situação dificultou o direito ao benefício de prestação continuada que garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais.

De três em três horas, ela cumpre rigorosamente a rotina de atender Vanderlei na dieta enteral mista e na aplicação de medicação venosa, de 12 em 12 horas.

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Folha dos sinais vitais do paciente Wanderlei Magalhães

VÍNCULO

A Equipe Samaúma atende a maioria de casos de pessoas com sequelas de AVE (acidente vascular encefálico) e cuidados paliativos em geral.

Segundo a médica Paula Ramires, esse e outros pacientes em situação semelhante são socorridos com dispositivos para traqueostomia e gastrostomia. Eles recebem curativos, dieta enteral, fisioterapia, e medicação oral e venosa quando necessário.

“Estabelecemos um vínculo com a família”, resume a médica ao explicar que isso se deve à sucessão de visitas e ao tratamento de cada paciente.

As visitas aos pacientes em tratamento são feitas a cada 15 dias, mas alguns exigem a presença médica uma vez por semana, caso de Wanderlei.

Palavra de dona Luciene: “O Samd em minha vida foi e é um grande remédio; o que seria de nós sem vocês aqui?”

NÚMEROS DO SAMD

Este é o demonstrativo do atendimento e procedimentos do Samd no ano passado:

Atendimento médico com finalidade de atestar óbito: 12
Visita domiciliar profissional de nível médico: 20
Visita domiciliar pós-óbito: 55
Terapia de reidratação parenteral: 65
Cateterismo verical de alívio: 69
Reabilitação nas multideficiências: 80
Assistência domiciliar por equipe multiprofissional: 134
Cateterismo vesical de demora: 160
Acompanhamento em terapia nutricional: 200
Antibioticoterapia parenteral: 1.000
Atendimento fisioterapêutico: 1.145
Visita domiciliar profissional de nível superior: 2.800
Curativo grau I: 4.000
Assistência domiciliar por profissional de nível médio: 5.089
Sondagem gástrica: 5.200
Consulta/atendimento domiciliar: 26.074

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