Rondônia - 17 de junho de 2018
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Fapesp, USP e Unicamp participam de projeto inovador no setor energético | São Paulo

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  • DownloadDivulgaçãoimagem24-05-2018-16-05-29Gestores das instituições participantes da iniciativa estiveram presentes no lançamento do Centro, na sede da Fapesp

O território paulista sediará atividades do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), iniciativa que envolve a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), as universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e de São Paulo (USP), o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e a Shell Brasil.

O projeto foi lançado oficialmente nesta quarta-feira (23), em um evento na sede da Fapesp. O centro receberá investimento de R$ 110 milhões em cinco anos, no âmbito do Programa Fapesp Centros de Pesquisa em Engenharia.

O objetivo da iniciativa é desenvolver novos dispositivos de armazenamento de energia com emissão zero (ou próximo de zero) de gases de efeito estufa e que empreguem como combustível fontes renováveis. Outras vertentes são as novas rotas tecnológicas para converter metano em produtos químicos.

“Estou muito contente em participar do lançamento porque o centro abre novas fronteiras e combina as necessidades das instituições e da empresa em apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico com o virtuosismo de cientistas, que querem expandir as fronteiras do conhecimento”, destaca o presidente da Fapesp, José Goldemberg, reconhecido como um dos maiores especialistas mundiais em energia.

Investimentos

Ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, a Fapesp reservou recursos da ordem de R$ 23,14 milhões para o projeto. A parcela de R$ 53 milhões virá da Unicamp, USP e Ipen, como contrapartida econômica, na forma de salários de pesquisadores e de pessoal de apoio, infraestrutura e instalações. Já a Shell realizará o aporte de até R$ 34,7 milhões no novo centro.

O CINE abrigará quatro divisões de pesquisa e terá sedes na Unicamp (Armazenamento Avançado de Energia e Portadores Densos de Energia), na USP (Ciência de Materiais e Químicas Computacionais) e no Ipen (Rota Sustentável para a Conversão de Metano com Tecnologias Químicas Avançadas). Ao todo, as unidades desenvolverão 20 projetos.

“O que diferencia o projeto é que os pesquisadores ligados a ele não pretendem fazer avanços incrementais, mas realizar pesquisas avançadas que possam ter impacto no mundo”, afirma o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Parcerias

A iniciativa tem a missão de produzir conhecimento na fronteira da pesquisa e, paralelamente, transferir tecnologia ao setor empresarial. As pesquisas poderão gerar resultados que serão usados pela Shell para gerar startups ou firmar parcerias com outras empresas.

O Centro de Inovação em Novas Energias foi concebido a partir de uma chamada de propostas lançada pela Fapesp, em parceria com a Shell, em abril de 2017. A seleção aprovou as propostas dos pesquisadores Rubens Maciel Filho, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, Ana Flávia Nogueira, do Instituto de Química da Unicamp, Fábio Coral Fonseca, do Ipen, e Juarez Lopes Ferreira da Silva, do Instituto de Química de São Carlos, da USP.

O acordo de cooperação entre a Fapesp e a Shell foi assinado em 2013. A parceria resultou, em 2015, na criação do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás, sediado na Escola Politécnica da USP.

“O lançamento do CINE faz parte de uma fantástica jornada, iniciada exatamente em maio do ano passado. Como organização, falamos muito nos últimos anos sobre transição energética, vemos que este momento está chegando e deve se tornar realidade em breve”, explica o presidente da Shell Brasil, André Araújo.

Projeções

Segundo estimativas do líder da Divisão de Pesquisa e Tecnologia de Novas Energias da Shell, Joep Huijsmans, estima-se que a população mundial será composta por cerca de 10 bilhões de pessoas em 2050, com 50% dos cidadãos em áreas urbanas. Por isso, a demanda global de energia provavelmente será quase 60% maior em 2060 do que hoje, com 2 bilhões de veículos em circulação no mundo, contra a frota atual de 800 milhões.

“A produção de energia renovável poderá triplicar até 2050, mas ainda precisaremos de grandes quantidades de petróleo e gás para fornecer toda a gama de produtos energéticos de que o mundo precisa”, projeta Joep Huijsmans.

As questões relativas à energia elétrica também fizeram parte das análises dos especialistas no evento. Maciel Filho, coordenador de transferência tecnológica do Centro, destacou que, em 2050, a demanda passe dos atuais 18% para 50%. “O futuro sustentável demandará mais energia renovável, de modo a diminuir as emissões de gases de efeito estufa”, avalia.