Rondônia - 14 de agosto de 2018
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Economia Criativa e a tradição ribeirinha: Dona Alice e a tradicional arte de São Gonçalo Beira Rio

A partir de hoje, o site da SEC apresentará, toda quarta-feira, perfil diferente de um empreendedor criativo do Estado de Mato Grosso. Mato Grosso Criativo é o programa intersetorial de governo, coordenado pela Secretaria de Estado de Cultura com o objetivo de criar políticas, diretrizes e ações para o desenvolvimento da economia criativa no território mato-grossense. E vamos ao perfil…

Sentada na porta de casa, Dona Alice observa a movimentação que aflora na rua onde mora, com uma naturalidade que chama a atenção. As vezes ela parece surpresa com o fluxo de sons, pessoas e carros próximo ao horário do almoço. A rua é fluxo de tradição, cultura e turismo que se misturam em São Gonçalo Beiro Rio, comunidade ribeirinha que chega aos seus 300 anos e que chancela a pluralidade das expressões da cultura de raiz.

Alice, empreendedora da Economia Criativa, compreende a importância de manter a tradição na lida com a cerâmica, barro que toma forma de arte em suas mãos desde criança. Nascida na comunidade, ela se afeiçoou à cerâmica aos dez anos de idade com os ensinamentos de sua mãe. Alice é daquelas ceramistas que coloca a mão na massa e maneja com perfeição todos os traços da suas peças.

Hoje, é a mais experiente ceramista da comunidade e transformou sua criatividade em negócio, empreendendo em um produto carregado de valores, pautado no seu capital intelectual e nos valores simbólico-culturais que carrega desde a infância. Aqui a criatividade passa a ser vista como um ativo importante dentro da lógica que agrega valor, consolidando-se como um dos fatores determinantes para compreender a riqueza e importância dessa arte para o Estado.

Alice nos leva a conhecer os espaços reservados à confecção de seu artesanato. São espaços construídos com investimentos advindos de sua arte. Com dedicação, ela expressa o carinho pela prática e seu cuidado na lida com as peças. Trata-se, sobretudo, de um investimento, não só econômico, mas amoroso e criativo, em que cada peça parece única, em um cenário de mercado cujo os produtos são cada vez mais parecidos.

Casada com Dalmi, companheiro de longa data, ele a ajuda e faz companhia nos dias de labuta. Dalmi, durante muito tempo subia o rio de canoa em busca da argila extraída nas suas margens, hoje comprada com mais facilidade. Sem titubear, ele participa ativamente do molho, da sova, da queima e limpeza das peças. O processo é todo manual e segue as tradições da cerâmica da comunidade que há 300 anos vive e resiste às margens no do nosso Rio Cuiabá.

A cerâmica de Dona Alice, assim como de tantas outras artesãs e empreendedoras da comunidade de São Gonçalo, soma às riquezas culturais do Estado e é, portanto, um grande produto artesanal, símbolo de resistência, deseja de criação, negócio, renda e emprego, constituindo-se como um importante ofício para a economia do Estado, somando a uns dos setores da Economia Criativa que mais cresce no país, o mundo das artes.