Rondônia - 17 de agosto de 2018
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Participação política feminina na Suécia é destaque em seminário na Câmara

Dados sobre a representação das mulheres nos Parlamentos de 193 países revelam que, enquanto o Brasil está posição 154, com apenas 10% dos mandatos na Câmara, a Suécia está em sexto lugar, com 43% de deputadas mulheres. Em seminário na Câmara dos Deputados sobre a participação feminina nas eleições brasileiras deste ano, a experiência sueca foi um dos destaques. 

Will Shutter/ Câmara dos Deputados
Seminário    “As Mulheres na Política”
Seminário As Mulheres na Política, promovido na última quarta-feira na Câmara

O embaixador da Suécia, Per-Arne Hjelmborn, explicou que, hoje em dia, todas as ações do governo sueco têm que assegurar a igualdade de gênero.

“Na Suécia, temos o primeiro governo feminista do mundo. Cada ministro na Suécia tem a responsabilidade e a obrigação de assegurar a igualdade de gênero em sua área de responsabilidade. Isso faz diferença. É fundamental entender que a igualdade entre os sexos não é questão das mulheres. É um tema muito relevante para os direitos humanos e também para o desenvolvimento e o crescimento econômico”, declarou.

Ex-líder do Partido Liberal e ex-integrante do Parlamento na Suécia, a embaixadora Maria Leissner lembrou que as mudanças culturais dos anos 60 e especialmente o feminismo foram fundamentais para que o país chegasse ao nível atual de igualdade de gênero.

“Na maioria dos partidos políticos nós temos coletivos de mulheres organizadas. E isso também é uma lição aprendida. Se nós não nos organizarmos, dentro de nossos coletivos e para além das fronteiras, e se não apoiarmos umas às outras na luta feminista, não chegaremos a lugar nenhum”.

Mulheres negras
No Brasil, as dificuldades de representação são ainda maiores para as mulheres negras. De acordo com Mônica Oliveira, representante do Comitê Mulheres Negras Rumo ao Planeta 50/50 da ONU, as mulheres negras permanecem excluídas da vida pública, devido à sobreposição das desigualdades de gênero, raça e classe social.

Ela alerta para a necessidade das cotas e dos recursos de campanha para que que essas mulheres consigam se eleger como representantes políticas. A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) relembrou sua trajetória política repleta de exemplos de violência institucional, e convocou as mulheres negras a participarem ativamente das eleições, lançando suas candidaturas.

“Essa história de mulher não vota em mulher é uma coisa cruel pra nós! Porque é evidente que criam um sistema que nos exclui e depois dizem que a culpa é nossa, que a gente é que não vota na gente, é mentira isso! Nós não podemos assinar embaixo”.

Recursos de campanha
Decisão do Tribunal Superior Eleitoral, de maio deste ano, garante a aplicação de no mínimo 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV para as mulheres candidatas. Em março, o Supremo Tribunal Federal já tinha definido a aplicação mínima de 30% dos recursos de outro fundo, o partidário, para as candidatas mulheres.

Para que os partidos políticos recebam os recursos do fundo eleitoral, cada legenda deverá discutir os critérios de aplicação desse dinheiro na campanha. A representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gassman, lembrou que as mulheres precisam se organizar dentro dos seus partidos, nas próximas semanas, para garantir a divisão dos recursos entre as candidaturas femininas.