Rondônia - 17 de novembro de 2018
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Deputado reclama de omissão do governo federal no caso dos venezuelanos

Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Abrigo da ONU para refugiados da Venezuela em Roraima

O coordenador da comissão externa da Câmara que acompanha a questão da imigração venezuelana em Roraima, deputado Carlos Andrade (PHS-RR), afirma que o governo federal não vem agindo para contornar a pouca infraestrutura que as cidades de fronteira têm para receber os refugiados. O parlamentar disse que o presidente Michel Temer já esteve duas vezes no estado para verificar a situação, mas reclamou que nada mudou.

A situação culminou então, segundo Carlos Andrade, com os conflitos registrados entre brasileiros e venezuelanos nos últimos dias. Um grupo de brasileiros disse que foi atacado por venezuelanos em Pacaraima e um acampamento de venezuelanos acabou sendo queimado.

“No primeiro momento, eu entendi que era um caso atípico, que era uma situação com a qual o governo não sabia lidar. Mas hoje eu estou vendo que é puro descaso. As coisas estão acontecendo e o governo não está atuando para que haja infraestrutura, um atendimento básico para os brasileiros que moram nesta faixa de fronteira: capital (Boa Vista), Pacaraima, Mucajaí, Iracema, Caracaraí”, critica Andrade

Centenas de venezuelanos, que fogem da crise econômica em seu país, acabaram decidindo voltar para a Venezuela após o conflito. O deputado Carlos Andrade explicou que os brasileiros se sentem desprotegidos porque têm que dividir os poucos serviços públicos que têm.

Fechamento de fronteiras
A governadora de Roraima, Suely Campos, pediu ao Supremo Tribunal Federal o fechamento das fronteiras com a Venezuela, mas a Advocacia-Geral da União já deu parecer contrário.

Gilmar Felix / Câmara dos Deputados
Audiência Pública e Reunião Ordinária. Dep. Carlos Andrade (PHS RR)
Andrade: “As coisas estão acontecendo e o governo [federal] não está atuando”

De acordo com a AGU, o fechamento não tem base legal e o governo estaria, sim, agindo na região. E lembrou que parte dos imigrantes foi enviada para outros estados brasileiros.

Comitê
Para o deputado Carlos Andrade, o governo deveria criar um comitê com os entes federativos envolvidos, reforçar a interiorização, e conversar com os demais países da América do Sul sobre o problema.

Ele lembrou ainda que Roraima depende da energia elétrica venezuelana. “80% da energia de Roraima é suprida pelo complexo de Guri, uma linha de transmissão que vem da Venezuela. O governo venezuelano não tem dinheiro para comprar alimentos. Eles vão fazer a manutenção da linha que eles têm? Não vão. Não estão fazendo. Nós temos apagões direto aqui na capital”, reclamou.

Força Nacional e Parlasul
Após os últimos conflitos, o governo federal decidiu enviar para Roraima 120 agentes da Força Nacional para reforçar a vigilância.

O Parlamento do Mercosul também vai enviar uma missão oficial à fronteira da Venezuela com a Colômbia e o Brasil, para analisar a situação migratória na região.

O Parlasul é composto por parlamentares do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Venezuela.