Rondônia - 16 de novembro de 2018
Home / Notícias / Política / Psicopatas nem sempre agem com violência, alertam especialistas

Psicopatas nem sempre agem com violência, alertam especialistas

A imagem mais comum que se tem do psicopata é do serial killer dos filmes de Hollywood. Mas especialistas reunidos nesta quarta-feira (17) em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias alertaram: ele pode estar em qualquer lugar, e a condição é hereditária.

Cientistas brasileiros, por meio de exames de imagem, já mostraram que o psicopata tem pouco desenvolvida a área do cérebro responsável pelas emoções. O resultado, segundo Hilda Morana, da Associação Brasileira de Psiquiatria, é um indivíduo que não tem empatia, ou seja, é indiferente às outras pessoas.

“O psicopata não desenvolveu a capacidade de gostar do outro. Por isso, ele tem uma individualidade muito premente, que precisa ser satisfeita de forma intensa”, explicou.

Corrupção
Os debatedores acrescentaram que a grande maioria dos psicopatas não têm ficha criminal, estando presentes em várias profissões, inclusive em cargos de chefia.

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro “Mentes Perigosas”, um best-seller sobre o tema, lembrou que, embora sejam minoria na sociedade, os psicopatas podem fazer um grande estrago, mesmo quando não usam violência, como nos casos de corrupção.

“Todo corruptor contumaz, na minha opinião, é um psicopata. Porque há uma indiferença com a população, há uma inconsequência com seus atos no sentido de não ver o que está tirando do outro”, explicou.

Presidiários
Alguns cometem crimes inexplicáveis, e não sentem culpa nem desconforto. Se, na população em geral, a porcentagem de psicopatas varia entre 1% e 3%, eles ocupam 20% das vagas das prisões em todo o País.

Para o deputado Adelmo Carneiro Leão (PT-MG), que é médico, esse dado é um alerta que justificaria uma interferência no sistema prisional. “Na lógica da construção de uma sociedade verdadeiramente humanista, o psicopata, com todas as suas limitações e a sua condição, ele precisa ser tratado como também um ser humano, por mais insensível que seja”, disse.

Comportamento
Na audiência pública, a representante do Conselho Federal de Psicologia, Juliana Ferreira da Silva, discordou da análise feita pelas psiquiatras sobre os indivíduos sociopatas, aqueles que têm transtorno de personalidade antissocial.


Ouça esta matéria na Rádio Câmara

Ela ressaltou que o que é considerado normal, em termos de comportamento, vai sendo construído e modificado ao longo do tempo pela sociedade. E que mesmo cidadãos com características consideradas “desviantes” não devem ser considerados como diferentes apenas com base em dados biológicos.

Conceitos
Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, tanto a psicopatia como a sociopatia são consideradas como transtornos antissociais e têm muitas características semelhantes, o que explica o fato de muitas vezes serem vistos como sinônimos.

Há muitos traços em comum, como a desconsideração por leis, normas sociais e direitos de outras pessoas; falta de sentimento de culpa; e comportamento hostil.

Uma das principais diferenças é que frequentemente os psicopatas são considerados pessoas encantadoras e populares, que muitas vezes exercem cargos de liderança e conseguem atrair pessoas para elas próprias. Já o sociopata, embora seja capaz de fingir ou forçar sentimentos, não é muito bom em contextos sociais.