Rondônia - 16 de novembro de 2018
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Instituto Biológico celebra 91 anos de contribuições à sociedade | São Paulo

Nesta semana foi realizada a 31ª Reunião Anual do Instituto Biológico (Raib), na sede do órgão, na capital, em comemoração aos 91 anos da instituição que tantos serviços já prestou à sociedade paulista e brasileira, em especial no setor agropecuário.

Este ano, a temática do encontro foi Saúde Mundial e Agronegócios, com foco nos assuntos relacionados à saúde pública, especialmente as arboviroses e zoonoses. Segundo Liria Hiromi Okuda, pesquisadora do IB e coordenadora da Raib, ambas são áreas de grande interseção, mas que ainda enfrentam a carência de diálogo entre os pesquisadores.

Um dos presentes foi o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Francisco Sergio Ferreira Jardim, que destacou a relevância das atividades do Instituto Biológico para a agropecuária paulista e nacional.

“Poucas entidades chegam aos 91 anos com a pujança do Instituto Biológico, que muito nos orgulha, pois a pesquisa no setor agropecuário é estratégica”, afirmou. “No futuro, o mundo deverá ampliar em 20% a produção de alimentos e, para que isso ocorra, o Brasil terá que aumentar sua produção em 40%. É preciso ter estrutura e responsabilidade para assumir essa missão”, disse Jardim.

O diretor-geral do IB, Antonio Batista Filho, destacou também a dedicação dos servidores envolvidos no órgão, do passado e do presente, que tem gerado bons resultados. “Nos últimos anos, houve um crescimento tanto de produção científica como de recursos financeiros, mesmo durante um período de crise em todo o país”, afirmou Batista.

De acordo com o dirigente, houve um aumento de 81% na produção de imunobiológicos, que atendem ao programa nacional para o diagnóstico de brucelose e tuberculose. “De 2,5 milhões, passamos a produzir 4,5 milhões de doses. No próximo ano, com novos investimentos, triplicaremos essa produção. O IB é o único laboratório no Brasil a produzir esse antígeno, necessário para a exportação, movimentação e exposição de animais”, revelou.

Com a instituição dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) nos órgãos de pesquisa da Secretaria, o IB pode agora fechar parcerias público-privadas, trazendo, na opinião de Batista, maior celeridade e avanços aos processos. “Em 2018, fechamos sete parcerias na área de controle biológico. Nos últimos anos, atuamos com mais de 50 empresas no desenvolvimento de inseticidas para o controle de pragas e doenças”, informou.

Coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Orlando Melo de Castro ressaltou que, nos últimos 10 anos, acompanhou apenas boas notícias do Instituto. “Os projetos de parcerias são crescentes, inclusive internacionais. A pós-graduação tem formado jovens para colaborar com o desenvolvimento”, disse.

À frente de uma instituição que é igualmente referência na agricultura paulista e brasileira, o diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Usp), Luiz Gustavo Nussio, destacou os desafios de manter a tradição. “Uma instituição que se aproxima do centenário tem muita dificuldade em se manter em pé. O convívio do velho e do novo exige das pessoas a compreensão de uma história bem instalada e articulada e os desafios atuais”, enfatizou.

Durante a 31ª Raib, que termina nesta quinta-feira (8), estão sendo apresentados 55 trabalhos nos módulos Sanidade Vegetal, Sanidade Animal, Saúde Pública e Qualidade. “A Raib reflete não só o conhecimento do IB, mas da comunidade científica internacional”, falou o deputado federal e secretário de Agricultura e Abastecimento na gestão 2015-2018, Arnaldo Jardim.

Medalha Rocha Lima

Durante as comemorações, foi entregue a Medalha “Rocha Lima”, maior honraria da instituição, ao pesquisador Mario Eid Sato. “Nossa função, além de desenvolver pesquisas, é contribuir para a formação de pessoas”, afirmou Sato, que atualmente é responsável pela orientação de cinco doutorandos e quatro mestrandos e contabiliza, em sua carreira, 27 projetos aprovados pela Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). Sato também recebeu o prêmio Destaque 2018 na área de pesquisa.

Já o Prêmio “Destaque 2018 – Funcionário de Apoio” foi concedido a Maria Stella dos Santos Marcelino e Talitha Kirchner Sundfeld. A cerimônia contou também com homenagens à Revista Arquivos do Instituto Biológico, que completou 90 anos de publicação.

Museu Histórico

O secretário Francisco Jardim inaugurou, na ocasião, o Museu Histórico do Instituto Biológico, com acervo das décadas de 1920, 1930, 1940 e 1950, disponíveis no Centro de Memória do IB, na sede do Instituto. “Um país sem memória é um país sem história, por isso o Museu Histórico conta com peças estratégicas, que mostram a origem da pesquisa”, disse o secretário, ao conhecer diferentes equipamentos.

“Queremos resgatar um pouco da história do IB e da ciência com a exposição de microscópios monoculares usados nas décadas de 20 à década de 50, moedor de café da década de 20 e aparelhos como câmeras fotográficas e expositor de plantas. O público também poderá conhecer por fotos os ambientes em que essas peças eram usadas”, completou Márcia Maria Rebouças, pesquisadora do IB responsável pelo Centro de Memória do Instituto.