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terça-feira, 23 julho 2019, 13:32
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BR 319 fora das prioridades do governo e do investimento de 100 bilhões em rodovias

Foi só discurso? Na campanha eleitoral, tanto o Presidente eleito Jair Bolsonaro quanto seu vice, o General Mourão, afirmaram e reafirmaram que o asfaltamento da BR 319 e a ligação por terra entre Manaus e Porto Velho seria importante prioridade.




Quando escolhido chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni recebeu representantes da região norte e o governador amazonense Wilson Lima, a quem reafirmou todas as promessas sobre as obras na rodovia. Mais que isso: quando recém empossado, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, encheu a boca para dizer que a 319 faria parte das grandes obras que o governo Bolsonaro pretendia realizar. Avisou inclusive que, em breve, iria percorrer todos os 900 quilômetros da rodovia para ver pessoalmente todos os seus problemas e o que precisa ser feto para resolvê-los.

Então, o que houve? O próprio Gomes de Freitas, ao anunciar um plano gigantesco de recuperação de rodovias no país, com investimentos de mais de 100 bilhões de reais (isso mesmo, bilhões!), dias atrás, em São Paulo, num projeto para os próximos quatro anos, simplesmente ignorou a mais importante das nossas rodovias, pela importância que ela representa tanto para amazonenses como para rondonienses. Pelo programa apresentado pelo ministro num grande encontro com empresários e políticos, na capital paulista, a única estrada da região norte colocada dentro do pacote de obras do quadriênio, é a BR 163, que liga Santarém, no Pará à capital do Mato Grosso, Cuiabá. Nada mais.

“Os amazonenses podem ter certeza de que nós iremos investir na BR-319, mesmo com todos os problemas da questão ambiental. Essa decisão requer determinação e coragem do presidente da República. Essas virtudes Jair Bolsonaro tem de sobra”! Quem disse isso, durante a campanha eleitoral, com todas as letras, foi o general Mourão, então em campanha, em sua visita a Manaus.

Pouco tempo se passou: menos de um mês depois de vencer a eleição, o novo governo liderado por Bolsonaro e Mourão mudou de ideia? A BR-319, uma rodovia que, em boas condições de trânsito, se tornaria vital para a ligação entre as duas capitais da Amazônia, é o principal anseio da população dos dois Estados e das classes produtoras. Mas, para surpresa dos que estavam otimistas, ela não aparece entre os grandes projetos, com investimentos de mais de 100 bilhões, que serão investidos pela União, até 2022.

É importante que os dois Governadores; as duas bancadas federais; as Assembleias Legislativas; as classes produtoras dos dois Estados, enfim, todos se unam e batam pé, exigindo que sejam cumpridas as promessas de campanha sobre a 319. Não podemos aceitar que sejamos enganados de novo, sobre uma obra vital para nossa região.


NA ASSEMBLEIA, TUDO DECIDIDO

A não ser que haja um desses eventos inacreditáveis que eventualmente acontecem na política, já está definida a situação da eleição do novo Presidente e da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Oficialmente, o governo não vai se envolver na disputa.

A sexta-feira é dia de decisão, quando o Parlamento elege seu novo comandante e a nova Mesa. Marcos Rocha tem repetido que os poderes são independentes, que ele tem uma relação muito boa com todos os parlamentares, tanto os eleitos agora como os reeleitos. Por isso, considera que, seja quem for o eleito, certamente será parceiro do seu governo e das ações em beneficio de Rondônia. Se esse discurso vai mesmo prevalecer, só se saberá na tarde dessa sexta, quando se iniciar a décima Legislatura, numa sessão que será presidida pelo atual vice-presidente da Casa, o deputado reeleito Edson Martins, do MDB.

A principio, a decisão já está tomada porque é sólida a parceria de um grupo de pelo menos 17 parlamentares, em torno de uma chapa já alinhavada, embora ainda sem definir quem será o nome indicado para a Presidência. Nos bastidores, ninguém mais tem dúvida de que o assunto está definido.

PODE HAVER DUAS ELEIÇÕES

Na sessão desta sexta, que ocorrerá na casa de shows Talismã, na avenida Mamoré zona leste da Capital, poderá acontecer duas eleições, já que o Regimento Interno da Casa assim o permite. A primeira, para o Presidente dos dois primeiros anos. Em seguida, poderá ser feita nova votação, escolhendo o nome do comandante para os últimos dois anos da atual Legislatura. Não se sabe se isso será feito, mas é possível que o seja.

O grupo que dominou até agora as pretensões para dirigir a Assembleia, que teria pelo menos 17 votos, já teria tomado todas as decisões, mas elas são mantidas ainda em sigilo, até a hora da sessão da tarde desta sexta, marcada para começar por volta das 14 horas. Perto do final da tarde, já se saberá quem foi o escolhido para presidir um dos mais importantes poderes num contexto de plena democracia. O Parlamento é vital para o sistema, para as discussões democráticas, para contribuir com a governabilidade.

O que todos os rondonienses esperam é que o eleito de logo mais, faça jus à importância da missão que vai assumir.

OS ÔNIBUS VÃO VOLTAR?

Táxis compartilhados superlotados, passando nas paradas abandonadas e pegando o máximo de pessoas possível; motoristas de aplicativos correndo para lá e para cá, eventualmente brigando com taxistas (que não aceitam que seus concorrentes também peguem passageiros perto das paradas) e todo o sistema de transporte coletivo paralisado. Assim estava Porto Velho nesta quinta. Um motorista de aplicativo contava, feliz da vida, que já tinha feito 25 corridas até às quatro da tarde.

Os táxis compartilhados estão andando a mil, todos faturando muito. Mesmo assim, milhares de pessoas, aqueles sem condição alguma de gastar com transporte alternativo, não têm como se deslocar. Mesmo com decisão judicial determinando a volta ao trabalho, motoristas e cobradores continuaram em greve, nesta quinta. A partir de hoje, Consórcio SIM pode voltar, mas com novo comando, agora da empresa Amazon Tur, do Amapá. Pode ser que sim, pode ser que não. Sem garantia alguma de que o sistema volte a funcionar, o porto velhense amarga mais um dia de incerteza, sem saber como se deslocará por esta imensa cidade. Lamentável.

CONFÚCIO ABRE O VOTO ANTI RENAN!

O senador enrolado até o pescoço com a Justiça, que representa o que de pior ainda tem a política brasileira, foi novamente escolhido pelo MDB para a disputa de mais um mandato na presidência da Casa. Pode ganhar sua quinta eleição para presidir o Senado. Mas certamente não terá o voto dos rondonienses.

Dois deles (Confúcio Moura e Marcos Rogério), já declararam que não votarão em Renan Calheiros. Confúcio informou ontem, em declaração nas redes sociais: “A minha posição interna no MDB, para a reunião de bancada, é de apoio à senadora Simone Tebet, para que seja a candidata do partido à Presidência da Casa”. Simone está no Senado desde 2015 e surgia como uma alternativa à grande rejeição de Renan Calheiros, um dos poucos aliados do PT que ainda sobreviveu nas urnas, depois da eleição de 2018. Ela perde a disputa interna por dois votos, mesmo com o apoio de Confúcio.

Marcos Rogério não anunciou ainda oficialmente em quem vai votar, mas deixou claro em quem não vota: em Calheiros, uma das poucas velhas raposas da política que ainda permanecem com grande poder. O terceiro senador por Rondônia, Acir Gurgacz, seguirá a orientação do seu partido, o PDT, que pode fechar com Renan ou buscar uma nova alternativa, como o estão fazendo outros partidos.

NOVE NOMES ESTÃO NA DISPUTA

No total, oito candidatos estão inscritos para disputar o comando do Senado. Caso nenhum deles abra mão do seu projeto, os 81 senadores poderão ter de escolher entre Álvaro Dias (do Podemos); Ângelo Coronel (PSD); Davi Alcolumbre (DEM); Esperidião Amin (PP) José Reguffe (Sem Partido); Major Olímpio (PSL); Renan Calheiros (MDB) e Tasso Jereissati (PSDB). Ora, entre todos esses nomes, certamente há algum que possa dar uma cara nova ao Senado, demonstrando claramente que o Poder entendeu a voz das urnas, ao invés de optar por um nome que tem a ojeriza de grande parte dos brasileiros e apenas consegue reeleger-se por causa do seu curral eleitoral nas Alagoas. Como afirmou um importante assessor do então governador Confúcio Moura, comemorando a decisão dele de não apoiar Renan: “agora é hora do Congresso Nacional buscar o melhor para o país, apoiando as reformas necessárias e a retomada do crescimento, sem barganhas e sem chantagens rasteiras”. Ao escolher seu presidente, hoje, os senadores dirão que Brasil eles preferem.

A FÚRIA QUE SE MULTIPLICA

Hipocrisia, falta de respeito, doença social, falta do sentimento de humanidade: publicações que continuam pululando na internet – pelas redes sociais – demonstram muito bem a sociedade em que estamos vivendo, em que as pessoas perderam o controle e não escrevem nem falam, mas vociferam, agridem, ofendem, apenas para tentarem impor suas verdades. A ignorância crescente, somada à casos doentios de péssimo caráter, é um tom que cresce de forma apavorante.

Qualquer evento, por menor que seja, caso contrarie a opinião, a crença ou a ideologia de alguém, pode abrir uma guerra de agressões, ofensas, textos (muitos eivados de erros de Português), que bem demonstram quem são os que os escrevem. Nessa semana, um fato nesse contexto chamou a atenção, especialmente. O prefeito Hildon Chaves participou de uma longa reunião sobre a questão do transporte coletivo. Horas depois, teve que se retirar, para cumprir um compromisso familiar: viajar para levar sua filha ao altar, em seu casamento. Pra que! Foi uma sucessão de agressões verbais e ofensas como poucas vezes se viu.

Como se a presença do Prefeito em mais algum tempo fosse resolver todos os problemas dos ônibus e da Humanidade; como se ele devesse abandonar a filha, para atender apenas as desejos e opiniões de gente desequilibrada, que usa as redes sociais para mostrar quem realmente é. O caso do transporte coletivo tem sim culpa profunda da Prefeitura e da administração. Ponto. Daí a ofender e agredir, covardemente, não dá para aguentar. Lamentável!

DECISÃO DE GOVERNO É MANTIDA

O Judiciário não decide sobre tudo. Afinal, há ainda a separação dos poderes, embora algumas decisões, incluindo algumas vindas do STF, dê ideia de que a judicialização de tudo se tornou prática comum no Brasil. Mas há sentenças de grande bom senso, indicando que há decisões que quem toma é a autoridade, eleita para esse fim. Por isso, merece destaque especial a posição do desembargador Oudivanil de Marins, do Tribunal de Justiça do Estado, que não acatou pedido do Singeperon, o sindicato dos agentes penitenciários, que pediu a ilegalidade do decreto do governador Marcos Rocha, em determinar a intervenção da PM nos presídios. “Não cabe ao Judiciário decidir sobre as ações tomadas pelo Governador para garantir a segurança nos presídios”, sentenciou o magistrado. E foi mais longe: “a questão referente ao deslocamento de mais de 400 policiais trata de ato da administração e não cabe ao Judiciário intervir nessa esfera, pois o Governador do Estado tem o dever de manter a segurança em qualquer situação e, sendo esta de extrema importância e urgência a ser solucionada, tomou as medidas cabíveis para tal ato”, afirmou. Portanto, a PM é mantida nos presídios. Até nova ordem…

PERGUNTINHA

Se fosse senador, você votaria em Renan Calheiros para um quinto mandato no comando do Senado Federal ou escolheria um nome que pudesse representar a renovação na política brasileira?

Fonte:Sérgio Pires

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