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sábado, 25 maio 2019, 07:45

IPCA-15 varia 0,72% em abril

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) variou 0,72% em abril, mostrando aceleração em relação à taxa de 0,54% de março. A variação de 0,72% é a maior para um mês de abril desde 2015, quando o índice foi de 1,07%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 1,91% e, em 12 meses, de 4,71%, resultado acima dos 4,18% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2018, a taxa foi de 0,21%.




Período
Taxa

Abril de 2019
0,72%

Março de 2019
0,54%

Abril de 2018
0,21%

Acumulado no ano
1,91%

Acumulado em 12 meses
4,71%

Apenas o grupo Comunicação (-0,05%) apresentou deflação de março para abril, conforme mostra a tabela a seguir. No lado das altas, os Transportes tiveram a maior variação, 1,31%, e o maior impacto, 0,24 ponto  percentual (p.p.). O segundo maior impacto (0,23 p.p.) ficou com o grupo Alimentação e bebidas (0,92%), que desacelerou em relação à taxa do mês anterior (1,28%). Já o grupo Saúde e cuidados pessoais registrou a segunda maior variação (1,13%), contribuindo com 0,14 p.p. de impacto. Juntos, os três grupos corresponderam a cerca de 85% do índice do mês. As demais variações ficaram entre 0,06%, de Educação, e 0,57%, de Vestuário.

Grupo
Variação (%)
Impacto (p.p.)

Março
Abril
Março
Abril

 

Índice Geral
0,54
0,72
0,54
0,72

 

Alimentação e Bebidas
1,28
0,92
0,32
0,23

Habitação
0,28
0,36
0,04
0,05

Artigos de Residência
-0,23
0,41
-0,01
0,02

Vestuário
0,06
0,57
0,00
0,03

Transportes
0,59
1,31
0,11
0,24

Saúde e Cuidados Pessoais
0,38
1,13
0,05
0,14

Despesas Pessoais
0,22
0,12
0,02
0,01

Educação
0,34
0,06
0,02
0,00

Comunicação
-0,19
-0,05
-0,01
0,00

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

O grupo dos Transportes, que havia apresentado alta de 0,59% em março, acelerou para 1,31%, principalmente por conta dos combustíveis (3,00%) e, particularmente, da gasolina (3,22%), que teve o maior impacto individual no índice do mês (0,14 p.p). A única região com queda no preço da gasolina foi Goiânia (-1,62%). Já a maior alta foi na região metropolitana de Porto Alegre, onde o preço nas bombas de combustível subiu, em média, 9,73% na comparação com o mês anterior. O etanol (de 2,64% para 2,74%) e o óleo diesel (de 0,67% para 1,06%) também subiram, com leve aceleração no nível de preços de um mês para o outro.

Ainda em Transportes, destaca-se a variação dos ônibus urbanos (1,04%), em função de reajustes observados nas seguintes regiões:

Porto Alegre (8,30%) – reajuste de 9,30%, a partir de 13 de março;• Recife (4,23%) – reajuste de 7,81%, a partir do dia 2 de março;• Curitiba (3,21%) – reajuste de 5,88%, a partir de 2 de março;• Salvador (3,20%) – reajuste de 8,11%, a partir de 2 de abril.

Outros meios de transporte público, como o trem (3,05%) e o metrô (0,68%), também tiveram seus preços reajustados em algumas áreas pesquisadas. No primeiro, a alta reflete o reajuste de 27,30% no valor da passagem em Porto Alegre (23,89%), vigente desde 13 de março. No segundo, o resultado deve-se ao reajuste de 6,98% na tarifa do Rio de Janeiro (2,79%), que entrou em vigor no dia 2 de abril.

As passagens aéreas (5,54%) também subiram de março para abril, embora tenham desacelerado em relação ao mês anterior, quando a alta foi de 7,54%.

No grupo Alimentação e Bebidas (0,92%), a alimentação no domicílio variou 1,43%, após subir 1,91% em março. O destaque ficou com o tomate (27,84%), segunda maior contribuição individual no índice do mês, com 0,07 p.p. Também contribuíram para esse resultado as carnes (1,55%) e as frutas (3,36%), ambas com 0,04 p.p. de impacto. A cebola, que havia tido deflação em março (-0,34%), subiu 13,44% em abril, e a batata-inglesa, cuja alta havia sido de 25,59% no mês anterior, desacelerou, variando 6,10%. Já o feijão-carioca caiu 2,38% no mês, frente à alta de 41,44% em março.

A alimentação fora (0,00%), por sua vez, ficou estável de um mês para o outro. Enquanto a refeição teve queda de 0,27% em abril, o lanche registrou alta de 0,46%.

O resultado do grupo Saúde e cuidados pessoais (1,13%) foi influenciado principalmente pelo item higiene pessoal (2,61%), cujo impacto foi de 0,07 p.p. Dentro desse item, o destaque foram os perfumes, que haviam subido 0,49% em março e aceleraram para 6,94% em abril. Cabe mencionar ainda a alta dos remédios (0,72%), refletindo parte do reajuste anual, em vigor desde 31 de março, cujo teto é de 4,33%.

Em Habitação (0,36%), o item energia elétrica subiu 0,58% em abril, pouco acima do registrado em março (0,43%). As regiões pesquisadas tiveram variações que vão desde a queda de 3,40%, em Belo Horizonte, até a alta de 9,46%, no Rio de Janeiro, onde foram concedidos reajustes médios de 11,53% e 9,72% nas concessionárias, vigentes desde 15 de março. No dia 1º de abril, esses reajustes foram reduzidos para 8,80% e 7,30%, respectivamente. 

O resultado do item gás encanado (0,84%) reflete reajustes em duas áreas pesquisadas. Em Curitiba (16,48%), houve a apropriação integral do reajuste de 16,48% nas tarifas, vigente desde 28 de fevereiro, e que ainda não havia sido apropriado nos índices. Já em São Paulo, a queda de 1,58% é reflexo da redução de 11,00% para 9,00% no reajuste aplicado, sendo o primeiro percentual vigente desde 1º de fevereiro e, o segundo, desde 1º de março.

Ainda em Habitação, a variação de 0,47% na taxa de água e esgoto é consequência dos reajustes de 15,86% em Fortaleza (11,31%), a partir de 24 de março, e de 2,99% em Brasília (1,29%), vigente desde 1° de abril. 

Em Comunicação (-0,05%), a variação negativa do mês deveu-se ao item telefone fixo (-0,29%), por conta da redução média de 7,50% no valor das tarifas de fixo para móvel, a partir de 25 de fevereiro. Já o resultado do item correio (2,19%) reflete o reajuste de 13,90%, em vigor a partir de 06 de março, em um dos serviços no Rio de Janeiro (2,19%), única área a apresentar peso para o item em questão no IPCA-15.

No que diz respeito aos índices regionais, oito das 11 áreas pesquisadas tiveram aceleração no nível de preços de março para abril. O menor índice foi registrado no município de Goiânia (-0,01%) – única área com deflação – em função, especialmente, da queda nos preços da gasolina (-1,62%). Já o maior resultado foi na região metropolitana de Porto Alegre (1,27%), onde, além da alta nos preços da gasolina (9,73%), houve também reajuste de 9,30% na tarifa de ônibus urbano (8,30%), vigente desde 13 de março.

Região
Peso Regional (%)
Variação Mensal (%)
Variação acumulada (%)

Março
Abril
Ano
12 meses

Porto Alegre
8,40
0,54
1,27
2,19
5,84

Salvador
7,35
0,29
1,06
2,27
4,99

Fortaleza
3,49
0,92
0,99
2,52
4,67

Recife
5,05
0,64
0,90
2,15
4,76

Brasília
3,46
0,59
0,85
1,37
4,20

Curitiba
7,79
0,34
0,80
1,22
4,20

Rio de Janeiro
12,46
0,58
0,75
2,35
4,82

São Paulo
31,68
0,56
0,72
1,91
4,75

Belém
4,65
0,75
0,48
2,26
4,25

Belo Horizonte
11,23
0,43
0,24
1,78
4,63

Goiânia
4,44
0,74
-0,01
0,77
3,91

 

Brasil
100,00
0,54
0,72
1,91
4,71

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 16 de março a 12 de abril de 2019 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de fevereiro a 15 de março de 2019 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

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