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Ex-ministro Mantega se defende de denúncias na CPI do BNDES – Notícias – Portal da Câmara dos Deputados

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega se defendeu de denúncias na CPI do BNDES, nesta quarta-feira (22), na Câmara. A CPI investiga supostas irregularidades em financiamentos do BNDES aprovados entre 2003 e 2015 para fomentar empresas brasileiras exportadoras de produtos e serviços. Entre elas, estão algumas investigadas na Operação Lava Jato, como a construtora Odebrecht e o frigorífico JBS.




Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Reunião ordinária para tomada de depoimento do ex ministro da Fazenda, Guido Mantega
Mantega descartou “viés político” em empréstimos do BNDES para obras de empresas brasileiras no exterior

Mesmo amparado por um habeas corpus preventivo, Mantega respondeu à maioria das perguntas, em quase cinco horas de reunião. O ex-ministro classificou de “mentirosa” a delação premiada em que o dono da JBS, Joesley Batista, diz ter pago a ele cerca de US$ 70 milhões de propina por intermédio do empresário Victor Sandri, em troca de operações de crédito para o frigorífico (cerca de US$ 1,5 bilhão). O ex-ministro ressaltou que o BNDES sempre foi criterioso na análise de riscos e na exigência de garantias. Mantega negou pressões sobre o ex-presidente do banco, Luciano Coutinho, em prol da JBS.

“Eu nunca pressionei o Luciano Coutinho e nunca intercedi em favor de qualquer projeto que estivesse tramitando lá – nem do Joesley nem de qualquer outra empresa. O BNDES tinha autonomia e regras rigorosas, com várias instâncias de decisão”, afirmou.

Acareação
Para o relator da CPI, deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), será necessária uma acareação entre Mantega e Joesley para esclarecer os fatos.

“O doutor Guido Mantega nega as declarações do senhor Joesley Batista, o que me parece uma situação bastante grave que a gente precisa investigar, porque esse depoimento do Joesley Batista defende a sua própria delação premiada e o acordo de leniência da JBS. Se ele não está falando a verdade, esse acordo de leniência e a delação premiada devem ser afetados”, sugeriu.

Propina para caixa 2
O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) quer incluir na acareação o empresário Victor Sandri e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antônio Palocci, a fim de esclarecer denúncias de que a propina alimentaria o suposto caixa 2 na campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2014. Também em resposta a Kataguiri, Guido Mantega descartou “viés político” em empréstimos do BNDES para obras de empresas brasileiras em Cuba, Venezuela e alguns países africanos e que hoje dariam prejuízo de cerca de US$ 2 bilhões ao banco.

“As decisões em matéria de comércio exterior são pragmáticas aqui, na China, nos Estados Unidos e em outros lugares. Não tem viés ideológico. Eu acho que estava certo tentar integrar todos esses países. Os prejuízos que o senhor menciona são recentes porque o mundo está passando por uma crise forte que afetou os países mais fragilizados”, respondeu Mantega.

Mais lucro que prejuízo
Guido Mantega, que presidiu o BNDES entre 2004 e 2006, acrescentou que, durante anos, o índice de inadimplência do banco foi inferior a 1% e que, se for considerado o superávit primário em um prazo de 10 a 15 anos, o empréstimo à Venezuela, por exemplo, deu mais lucro do que prejuízo. Na mesma linha, Mantega rebateu as críticas do deputado Delegado Pablo (PSL-AM), para quem essa estratégia não tem efeito positivo na economia brasileira.

“É investir em uma empresa brasileira que atua também no exterior. Ela tem o balanço dela aqui no Brasil, paga tributos em função disso e traz benefícios para o país. Há alguns nichos em que o Brasil pode ter o controle e a liderança do setor”.

Já a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) identificou prejuízos de US$ 4 bilhões para o BNDES em 140 contratos com valor total de US$ 14 bilhões. Por outro lado, o ex-ministro recebeu elogios dos deputados petistas presentes na CPI. Mantega ressaltou que sua missão à frente do BNDES foi “impulsionar o investimento, o comércio exterior e o crédito de longo prazo com juros competitivos”. Na sua avaliação, a estratégia foi fundamental para o Brasil ter hoje US$ 370 bilhões em reservas.

Convocação
Nesta quarta, a CPI do BNDES aprovou a convocação do ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo; do ex-diretor da Odebrecht, João Carlos Mariz Nogueira; e de José Batista Sobrinho, pai dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS.

Os deputados também pediram acesso aos sigilos bancários, fiscal, telefônico e telemático de Joesley, Wesley e José Batista e aos acordos de leniência das empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Outro requerimento aprovado pede ao BNDES informações e documentos relativos a operações de financiamento que tenham sido aprovadas pelo banco apesar da ausência de parecer conclusivo no relatório apresentado pela Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação S/A (SBCE) ou pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias S/A (ABGF), entre 2003 e 2015.

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