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quarta-feira, 18 setembro 2019, 01:51
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Vasconcelos, o 10 antes de Pelé

Por Gabriel Santana e Guilherme Guarche, do Centro de Memória




Meia-atacante de chutes certeiros e toques apurados, Válter Fernandes Vasconcelos nasceu em 25 de maio de 1930, em Belo Horizonte e veio da Portuguesa Santista para o Santos em 1953, contratado por 350 mil cruzeiros. Craque, formou ala esquerda poderosa com o ponta-esquerda Pepe.

Em sua partida de estreia no Santos, um amistoso contra o Juventus, na Vila Belmiro, em 15 de março de 1953, ele já caiu nas graças da torcida, marcando dois gols na goleada de 6 a 1. Os outros gols santistas foram de Tite (2), Zito e Álvaro.

Naquele domingo o técnico Artigas escalou o time com Manga, Hélvio (depois Cássio) e Feijó; Nenê, Formiga (Aristóbolo) e Zito (Ivan); Nicácio (Otavinho), Nelson Adans, Álvaro, Vasconcelos e Tite.

No mesmo ano em que chegou ao Santos Vasconcelos foi o artilheiro do Torneio Rio-São Paulo, com oito gols. Também se manteve como o artilheiro do Santos nas temporadas de 1953 e 1954.

No Alvinegro da Vila ele jogou 175 partidas e marcou 114 no período de 1953 a 1958, conquistando os títulos de Bicampeão Paulista (1955/1956), Torneio de Classificação (1956) e Taça dos Invictos (1956). Com a camisa da Seleção Brasileira jogou duas partidas e não marcou gols.

Em uma entrevista, Pelé comparou: “O Neymar é um bom jogador, mas quantos gols de cabeça fez na vida? O Vasconcelos era dez vezes melhor que ele”.

Sai Vasco, entra Pelé

Vasconcelos, ou Vasco, a quem Pepe chamava carinhosamente de Bagaço, devido ao hábito de chupar laranja antes dos treinos, fraturou a perna numa jogada com o zagueiro Mauro Ramos de Oliveira, então no São Paulo, em partida válida pelo Campeonato Paulista, na Vila Belmiro, em 9 de dezembro de 1956.

Após uma dividida, Mauro caiu sobre as pernas do atacante santista, que foi retirado do campo de maca. Naquele domingo triste, o Santos foi derrotado por 3 a 1 e perdeu também o vistoso e eficiente futebol de Vasconcelos, pois este nunca mais voltou a jogar como antes. O consolo foi que em seu lugar despontou um garoto, apelidado Gasolina, que viria a ser ainda melhor do que o ídolo ferido.

Após longo tempo afastado, Vasconcelos voltou aos campos, mas já não era o mesmo. Em 1960 se transferiu para o Jabaquara; em 1961 para o Vasco da Gama e em 1961 terminou a carreira no Apucarana, Paraná. Faleceu em 22 de janeiro de 1983, um sábado, na cidade de Brusque, Santa Catarina. Tinha apenas 52 anos.

Guardião do Rei

O curioso sobre Vasconcelos é que mesmo sendo frequentador da noite e adepto de uma bebidinha, levou a sério o pedido de Dondinho, pai de Pelé,quando este deixou o filho a seus cuidados, e jamais permitiu que o garoto colocasse uma gota de bebida alcoólica na boca.

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