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Réus julgados pela morte de preso em 2015 são condenados no RS | Rio Grande do Sul

[bloqueador2]No banco dos réus: Luciano Alves Pereira, Rudinei Henrique de Abreu e Rudinei Pereira da Silva — Foto: Divulgação/TJRS No banco dos réus: Luciano Alves Pereira, Rudinei Henrique de Abreu e Rudinei Pereira da Silva — Foto: Divulgação/TJRS

No banco dos réus: Luciano Alves Pereira, Rudinei Henrique de Abreu e Rudinei Pereira da Silva — Foto: Divulgação/TJRS

Três homens foram condenados no início da madrugada desta terça-feira (4), em julgamento popular realizado em Porto Alegre, pelo assassinato de Cristiano Souza da Fonseca, conhecido como Teréu, e apontado pela polícia como chefe do tráfico no Beco dos Cafunchos, na capital gaúcha.

Luciano Alves Pereira e Rudinei Pereira da Silva receberam pena de 27 anos de prisão, enquanto Rudinei Henrique de Abreu pegou 26 anos de cadeia. Eles foram condenados por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima).

O regime inicial de cumprimento é o fechado e os réus não poderão recorrer em liberdade. O crime foi considerado hediondo pelo juíza Karen Luise Villanova Batista de Souza, da 1° Vara do Júri da cidade.

O crime aconteceu em 2015 no refeitório da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo a denúncia, os réus asfixiaram Teréu até a morte dentro da cadeia, com objetivo de garantir a hegemonia de uma facção criminosa que atuava dentro de penitenciárias do estado.

Ao todo, nove apenados tiveram denúncias do Ministério Público pelo crime aceitas pelo Judiciário. A segunda sessão de julgamento está marcada para o dia 4 de julho. Já em 8 de agosto, deve ocorrer a terceira e última sessão.

Interrogatórios

Julgamento começou por volta das 9h30, em Porto Alegre — Foto: Divulgação/TJRS Julgamento começou por volta das 9h30, em Porto Alegre — Foto: Divulgação/TJRS

Julgamento começou por volta das 9h30, em Porto Alegre — Foto: Divulgação/TJRS

Ao ser interrogado diante dos jurados, Luciano Alves Pereira alegou nunca ter tido contato com Teréu. O réu disse que Rudinei Herique teria falado que Teréu iria matar a família dele no momento do crime.

“Teréu já deu um tiro na cabeça de Rudinei Henrique. Sempre ouvi falar que ele era muito perigoso”, alegou. Um vídeo que mostra o crime foi exibido durante o interrogatório.

O segundo réu a depor foi Rudinei Henrique de Abreu. “Foi conversado com ele, acho que foi o Rudnei P, não me recordo, que não poderia ficar na galeria. Mas ele se achava o ‘bambambam’. Eu já havia visualizado que ele estava com ‘alguma coisa'”, explicou.

“Foi pedido para que o Teréu saísse da galeria, e a segurança não tomou nenhuma atitude. Como ele estava armado, a gente tinha que ter cuidado para conter ele. Quando contemos ele, ele se jogou. Eu fui na cintura dele e achei a faca”, continuou Rudinei Henrique.

Ao responder os questionamentos, o réu alegou ter asfixiado Teréu porque ele ameaçou a sua família. “Eu não sei a lei da cadeia, eu sei a minha lei. Mexeu com a minha família, eu mato”, ressaltou Rudinei Henrique ao ser questionado pela promotoria sobre o motivo da desavença com Teréu.

Após um intervalo da sessão, Rudinei Pereira da Silva foi o último réu a ser interrogado. Ele argumentou que a intenção do grupo era desarmar Teréu, que carregava uma faca, e não matá-lo. O réu afirmou não saber como ele passou pela triagem com o objeto.

“Me disseram que eu fiz por dinheiro, que eu era de facção. Eu nunca fui de facção”, exclamou. “Dentro da cadeia, nós respondemos por si, não somos de facção. Eu só organizo a galeria”, defendeu.

A morte de Teréu

Traficante Cristiano Souza da Fonseca, conhecido como Teréu, foi morto nesta quinta — Foto: Reprodução/RBS TV Traficante Cristiano Souza da Fonseca, conhecido como Teréu, foi morto nesta quinta — Foto: Reprodução/RBS TV

Traficante Cristiano Souza da Fonseca, conhecido como Teréu, foi morto nesta quinta — Foto: Reprodução/RBS TV

Segundo a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Teréu almoçava no refeitório do Pavilhão A da Pasc quando foi cercado por três homens e morto por asfixia, com um saco plástico na cabeça. Outros apenados também participaram. O crime foi registrado por câmeras de segurança, mas as imagens não foram divulgadas.

Apesar de nunca ter sido condenado, Teréu é apontado pela polícia como chefe do tráfico no Beco dos Cafunchos, na Zona Leste de Porto Alegre, e suspeito de ordenar o assassinato do traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, que aconteceu em janeiro de 2015, em Tramandaí, no Litoral Norte gaúcho.

Teréu foi preso em maio de 2015, em Porto Alegre, na saída de uma casa noturna, por porte de munição de uso restrito. Inicialmente, ficou detido no Presídio Central – hoje chamado Cadeia Pública –, mas uma semana depois foi transferido para a Pasc porque corria riscos, já que na penitenciária da capital gaúcha também estavam presos membros de outras facções rivais.

Na Pasc, Teréu ficava em uma área isolada. Dois dias antes da morte, teria pedido para sair do isolamento. Horas após a morte, moradores da região onde ele morava realizaram uma manifestação pelas ruas do Beco dos Cafunchos. Eles saíram em caminhada por algumas ruas do bairro carregando faixas com frases em apoio ao homem.

Em outro lado da cidade, o assassinato foi festejado com um foguetório no Condomínio Princesa Isabel, bairro Azenha. Os fogos foram vistos de vários pontos da cidade. Era daquele prédio que Xandi comandava o tráfico de drogas. Os festejos seguiram noite adentro.

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