
Os três Estados que lideram o aumento são Roraima, Pará e Amazonas. O Tocantins tem o maior número de registros da região, mas não supera o número de focos identificados no mesmo período do ano passado.
Roraima, localizado no extremo Norte, também já superou o recorde de focos de queimadas registrados no Estado. Em 2016, já são 3.161 focos, contra 2.919 de 2003. No Pará, são 2.941 contra 2.187 em 2015. O Amazonas, registrou um aumento de cerca de 150%, como 1.565 neste ano e 611 no mesmo período do ano passado.
Na mesma esteira, Rondônia contabiliza 717 focos contra 637 em 2015. No Acre, são 275 contra 159. O Amapá tem apenas três registros a mais que no mesmo período do ano passado, quando teve 25 incêndios. O Tocantins tem 3.881 focos de queimadas registrados, mas entre o mesmo espaço de janeiro a julho de 2015, teve 5.843 focos registrados.
Aumento de queimadas
O aumento do número de queimadas na Amazônia Legal em 2016 foi previsto em relatório da Nasa. A projeção do laboratório Goddard Space Flight Center aponta que o risco de incêndios no verão amazônico, período de julho a outubro, é maior que 90% nos estados do Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia. A explicação está na intensidade da última ocorrência do fenômeno El Niño.
De acordo com a pesquisa, as condições do El Niño em 2015 e início de 2016 alteraram o “padrão” de chuva em todo o mundo. O começo deste ano foi o período mais seco desde 2002 na Amazônia, superando os anos 2005 e 2010, quando ocorreram intensas estiagens. Mas há quem discorde da previsão.
O coordenador do programa de Monitoramento de Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, é uma dessas pessoas. “As previsões que eles [a Nasa] fizeram para os três últimos anos não deram muito certo”, avalia. Setzer também diz que a previsão é bastante genérica. “Não faz muito sentido dar uma previsão para um estado tão grande como o Amazonas. Além disso, previsões com meses de antecedência são ainda muito especulativas, no mundo todo”, assevera.
Setzer também destaca o fator humano na ocorrência de queimadas. “A ocorrência de queimadas não é um fenômeno natural. O clima seco favorece o uso e a propagação do fogo, mas a origem do fogo é a atividade humana”, diz. “Por exemplo, se a população do Mato Grosso seguir o decreto que proibiu o uso do fogo a partir de 15 de julho, não vai queimar muito por lá. Outros estados também estão se preparando para que a população reduza o uso do fogo”, conclui.
Plano
No Amazonas, o Governo lançou no último mês de junho, o Plano de prevenção, controle e combate às queimadas. A iniciativa apoia a execução de ações de prevenção, controle, combate e monitoramento a focos de calor por meio de parcerias com os governos federal, estadual, municipal e sociedade civil. O objetivo é impedir que o Estado volte a ter o alto número de queimadas e incêndios florestais como ocorreu em 2015, quando foram registrados 15.170 focos.
Fonte:Portalamazônia