
Uma pandemia como a do coronavírus abala a vida de todo mundo. Isolamento social, medo, incerteza com o futuro, mudança nas relações sociais, instabilidade financeira. Esses e outros fatores podem resultar em transtornos como depressão e ansiedade, emoções que afetam a relação com a família e podem causar até mesmo brigas e divórcios.
Toda esta tensão tem contribuído para um aumento significativo no número de casos de depressão e ansiedade no Brasil. Dados da Universidade do Estado do Rio de Janeiro mostrou que os casos de depressão cresceram 50% e de ansiedade 80%. O levantamento aponta ainda que quem não convive com crianças e mora com idosos têm mais chances de ter depressão nesse período.
Em contrapartida, em muitas famílias a preocupação com os mais velhos se intensificou durante a pandemia. Por estarem no grupo de risco e não conseguirem, em algumas situações, manter a rotina de cuidado com a saúde, como fazer caminhadas, ir regularmente ao médico e conviver com familiares e amigos, os idosos parecem mais vulneráveis ao efeito geral do atual cenário.
Entretanto, uma nova pesquisa da UBC publicada recentemente no Journal of Gerontology: Psychological Sciences, mostra que adultos com 60 anos ou mais se saíram melhor emocionalmente em comparação com adultos mais jovens (18 a 39) e adultos de meia idade (40 a 59) durante a pandemia do COVID-19.
Com base nos dados diários coletados entre março e abril deste ano, os pesquisadores descobriram que os idosos experimentavam maior bem-estar emocional e se sentiam menos estressados e ameaçados pelo vírus. “Nossas descobertas fornecem novas evidências de que adultos mais velhos são emocionalmente resistentes, apesar do discurso público retratar sua vulnerabilidade”, diz Patrick Klaiber, principal autor do estudo.
Sofia Vargas é psicóloga e consultora do site GUIADEBEMESTAR e afirma que este resultado está relacionado à rotina já estabelecida pelos mais velhos. Como em sua maioria já estão aposentados, não possuem a preocupação eminente com o desemprego, tão pouco dedicam parte do seu tempo as redes sociais e a assistir noticiários. “Os mais velhos além de mais sábios, não são reféns da tecnologia, já possuem em sua rotina cuidados com plantas e animais, sonecas pós almoço, alegria em cozinhar, atividades que muitos jovens descobriram apenas durante a pandemia”, pontua.
Outro ponto que colabora para o bem-estar dos idosos, segundo o estudo, é que os adultos mais velhos e de meia-idade experimentaram mais eventos positivos diários – como interações sociais positivas remotas – em 75% dos dias ao longo da pesquisa, o que ajudou a aumentar as emoções positivas em comparação aos adultos mais jovens. O que mostra que os idosos estão aproveitando melhor as interações virtuais e que estão se divertindo com este novo universo.
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