
Criada em 2004, a Força Nacional é composta por policiais militares, bombeiros militares, policiais civis e peritos de todos os Estados. O objetivo é que eles se desloquem para determinada área quando é detectada uma urgência. A crise na segurança pública do Rio Grande do Sul foi avaliada como um desses casos. Desde setembro, a entidade atua junto com a Brigada Militar no policiamento da capital gaúcha, onde o efetivo deve permanecer até pelo menos fevereiro do ano que vem.
As equipes do órgão também foram deslocadas para o Rio de Janeiro durante a Olimpíada, para fazer a segurança no interior das arenas e no entorno dos locais de competição. Nas eleições municipais de outubro, onze cidades, incluindo o Rio, tiveram a segurança reforçada pelo órgão.
Para Arthur Trindade, professor de sociologia da Universidade de Brasília, porém, o Brasil nunca teve e ainda não tem uma política de segurança pública e usa a Força Nacional como “um grande bombeiro”, para “apagar todos os incêndios”. “Ela é usada para garantir a ordem pública, para auxiliar no combate ao tráfico de armas e drogas, na redução de homicídios e até em casos de violência doméstica. Isso dá a impressão de que o governo está fazendo algo, mas, na verdade, não está e nunca esteve”, afirma.
O professor critica o Plano Nacional de Segurança Pública, criado em 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Há intenções e vontades, mas não existe até hoje um plano com objetivos claramente definidos, com metas, indicadores, divisão de tarefas entre as esferas governamentais e emprego de recursos”, diz Trindade. No último dia 10, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, lançou o Plano Nacional de Segurança Pública que entrará em vigor no ano que vem. Segundo ele, serão prioridades a redução de homicídios, dos casos de violência contra a mulher, além da racionalização do sistema penitenciário e a proteção das fronteiras.
Mas não é só a atuação de policiais que vai resolver o problema da violência. O governo precisa atuar antes mesmo de um crime acontecer. A presença do Estado precisa estar na educação, na saúde, na cultura e na geração de renda nas áreas com altos índices de criminalidade. “É preciso cortar a raiz do problema”, diz Ronaldo Aracri, especialista em Segurança Pública da Universidade Metodista de São Paulo. A polícia por si só não é efetiva.
Fonte:Veja