Rondônia - 18 de novembro de 2018
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Conheça as três mulheres que mudaram nossa percepção sobre primatas

Se não fosse pelo renomado antropólogo Louis Leakey e sua crença de que a compreensão do comportamento dos primatas era vital para compreender as origens dos seres humanos, talvez nós ainda não saberíamos hoje. As informações são do site One Green Planet.

Convencido de que os seres humanos haviam evoluído dos macacos, Leakey queria que os primatas fossem estudados na natureza – algo que nunca havia sido feito antes. De acordo com registros da Fundação Leakey, ele foi responsável por iniciar o estudo de campo à longo prazo de chimpanzés na natureza de Jane Goodall, e ajudou a obter e coordenar o financiamento de projetos semelhantes, tais como o trabalho de Dian Fossey com gorilas da montanha em Ruanda, e o trabalho de Birute Galdikas-Brindamour com orangotangos na região de Sarawak, na Indonésia.

Nenhuma dessas três mulheres tinha muita experiência ou conhecimento científico e era precisamente isso o que Leakey queria: mentes organizadas e imparciais pela ciência. Curiosamente, algumas das descobertas mais inovadores na ciência seriam feitas por este trio.

Jane Goodal: Binóculos e David Graybeard

Jane Goodall começou a estudar chimpanzés no Parque Nacional Gombe, na Tanzânia, em 1960. Ela veio sem diplomas, sem experiência, apenas paciência e paixão. Todas as manhãs, ela caminhava pelas florestas, com binóculos na mão, esperando para pegar um vislumbre de um chimpanzé na selva. E, em vez de numerar os chimpanzés que ela via, ela optou por, não convencionalmente, dar-lhes nomes. David Greybeard foi o primeiro chimpanzé a aceitá-la, a estranha pálida na floresta, e isso abriu caminho para grandes investigações fenomenais.

Entre suas descobertas incríveis estava a de que chimpanzés podem fazer e usar ferramentas para executar tarefas básicas na natureza, como pegar cupins com talos de grama ou galhos de árvores. Ela também aprendeu que ao contrário da crença popular, os chimpanzés não eram vegetarianos. Outra descoberta interessante foi que os chimpanzés possuem grande profundidade emocional, muito parecido com os seres humanos e são capazes de bondade, brincadeiras, tristeza, agressividade e ternura. Eles também compartilham muitas das mesmas ações que os seres humanos, como se abraçar, beijar e fazer cócegas. Estas descobertas iniciais moldaram a nossa compreensão moderna dos chimpanzés que continua a evoluir.

Embora sejamos mais familiarizados com os chimpanzés, esta espécie está listada como ameaçada devido ao consumo da carne de animais silvestres e o comércio de animais exóticos. Com uma população oscilando em torno de 100.000, estamos em risco de perder essa espécie para sempre se o combate contra essas operações não for feita.

Dian Fossey: Ruanda e seus Gigantes Gentis

Em 1967, Dian Fossey entrou nas Montanhas Virunga de Ruanda para montar acampamento e se preparar para o estudo de gorilas da montanha. Até este momento, os gorilas eram geralmente considerados uma espécie agressiva, mas Fossey logo desmascarou esse mito, observando que, enquanto eles são resistentes, eles também são incrivelmente delicados. Geralmente, eles são animais pacíficos e apenas mostram acessos de raiva quando estão protegendo seus filhotes.

Assim como Goodall com os chimpanzés, Dian Fossey viu gorilas como animais respeitáveis com personalidades individuais, razão pela qual ela também nomeava cada gorila com a qual se familiarizava ao invés de simplesmente numera-los. Por quase 20 anos, Fossey viveu entre os gorilas da montanha e logo se apegou a um gorila macho chamado Digit, que mais tarde foi tragicamente decapitado por caçadores.

De acordo com sua pesquisa, Fossey descobriu que gorilas possuíam uma vasta gama de emoções e podiam construir ferramentas. Em vez de simplesmente sentar ali e observar, Fossey começou a imitar seus hábitos de alimentação e higiene e vocalização, a fim de ganhar sua confiança e “se encaixar”. Foi essa profunda empatia pelos gorilas que a tornou tão eficaz como etóloga.

Hoje, a população de gorilas da montanha está em grave perigo de extinção devido à caça no Parque Nacional de Virunga. Com uma população de apenas 880, dos quais um quarto vive em Virunga, esta espécie está correndo contra o tempo.

Birute Galdikas: as profundas emoções dos Orangotangos da Indonésia

O terceiro membro dos anjos de Leakey é Birute Galdikas e ao contrário das outras, ela foi a único que se aproximou de Louis Leakey, propondo um projeto de pesquisa sobre a vida dos orangotangos. Seus estudos começaram em 1971 nas selvas de Bornéu.

Antes do trabalho de Galdikas, as pessoas pensavam que orangotangos eram criaturas solitárias, mas sua pesquisa provou o contrário. Na verdade, as relações sociais e familiares destes primatas espelham de perto os dos seres humanos. Orangotangos mantém relacionamentos extremamente próximos com suas mães durante os primeiros dez anos de sua vida, eles literalmente se agarram às suas mães, até que tenham atingido pelo menos sete anos de idade. Como seres humanos, as mães orangotango dedicam muito tempo e energia para criar seus filhotes. De acordo com a pesquisa de Galdikas sobre seus padrões de migração, algumas populações permanecerão em sua área de origem original, enquanto outros serão mais nômades e se aventurarão para outras áreas.

Outra descoberta fascinante feita por Galdikas foi que os orangotangos têm o intervalo de nascimento mais longa de todos os mamíferos. A fêmea vai reproduzir aos seus 15 ou 16 anos, mas não vai ter outro bebê até pelo menos mais oito anos. A razão para isso é porque um jovem orangotango permanecerá com sua mãe por um longo período de tempo, a fim de aprender a sobreviver na floresta tropical. Sabiamente, eles se concentram em um orangotango por vez para garantir que eles saibam como encontrar e preparar alimentos. Enquanto esse conhecimento é incrível, infelizmente, também explica por que a população orangotango está em situação tão precária em tempos modernos. Infelizmente, o desmatamento do habitat natural dos orangotangos deixou esta espécie magnífica sem um lar ou meios para encontrar comida.

Essas três mulheres pioneiras têm – graças aos seus anos de investigação – nos ajudado a aprender muitas coisas sobre primatas e começar a entender como somos semelhantes a estas espécies. A começar dos nossos estreitos laços familiares para nossas emoções complexas, há muito que temos em comum com primatas, e há muito, muito mais que ainda temos de aprender sobre eles. Infelizmente, todas as três espécies de primatas estudadas por essas mulheres estão atualmente em perigo de extinção, em grande parte devido à perda de habitat e à caça. Cabe a todos nós pegar de onde os anjos de Leakey pararam e continuar a aumentar a consciência sobre esses animais educando os outros sobre nossos irmãos primatas. A boa notícia é que você não tem que viajar à uma selva distante para fazer isso, mas pode começar simplesmente compartilhando este post. Hoje temos o incrível poder da internet para chamar a atenção para a situação dessas espécies, algo com a qual os anjos de Leakey podiam somente sonhar. Em homenagem a essas três mulheres, compartilhe este post e inspire outros a aprender mais sobre esses primatas e as várias ameaças que suas populações encaram. Dizem que as pessoas protegem aquilo que amam, e tudo começa com uma faísca de conhecimento.

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