
De acordo com os pesquisadores, os vestígios apresentavam marcas que caracterizavam a separação dos músculos dos ossos, indícios claros de que os ossos foram manuseados pelos neandertais. “Essas indicações nos permitem assumir que os neandertais praticavam canibalismo. Vários ossos de cavalos e renas [animais que serviam de alimento aos neandertais] encontradas em Goyet foram processadas da mesma forma”, afirmou o pesquisador Hervé Bocherensos, da Universidade de Tübigen, na Alemanha, um dos autores do estudo, em comunicado.
Canibalismo – Os neandertais são homens pré-históricos que viveram entre 130.000 e 30.000 anos atrás na Europa e em partes da Ásia. Ainda não se sabe qual a razão de seu desaparecimento, mas algumas pesquisas indicam que eles não teriam resistido à invasão em massa de homens modernos na Europa, há 40.000 anos.
Os esqueletos encontrados trouxeram novas pistas sobre como seria a estrutura social e o cotidiano da espécie. Acredita-se que um grupo de neandertais foi capturado, teve a carne esfolada, retirada dos ossos e a medula arrancada por outros de sua espécie. Não se sabe, no entanto, se o canibalismo fazia parte de algum tipo de ritual, ou se os neandertais se alimentavam uns dos outros simplesmente para garantir a comida.
Segundo os pesquisadores, a análise indica ainda que neandertais também fabricavam ferramentas com os ossos de seus semelhantes. Quatro dos ossos encontrados tinham as mesmas marcas que os fósseis de outros animais cujo esqueleto era utilizado como ferramenta, o que sugere que os vestígios dos neandertais teriam o mesmo propósito.
Surpreendente – Essa não é a primeira vez que os cientistas encontram evidências de canibalismo entre os neandertais. Em um artigo publicado em 2010 no Proceedings of National Academy of Sciences, cientistas espanhóis analisaram os ossos e o DNA de restos mortais de neandertais encontrados na caverna de El Sidrón, no México, relatando que as vítimas eram uma dúzia de membros da mesma família, abatidos por canibais. Na época, Todd Disotell, antropólogo da Universidade de Nova York, afirmou: “É um achado surpreendente”.
Fonte:Veja