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Casa do Cantador vai ganhar uma cordelteca – Brasília

04/10/2019
in Distrito Federal

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Brasília vai ganhar um centro de referência de literatura de cordel na Casa do Cantador, em Ceilândia. A biblioteca do espaço, que hoje conta com 800 títulos de cordel e 700 livros, está passando por uma reestruturação – que inclui nova delimitação no perfil temático, voltado para a poesia, artes, cantorias, músicas e folclore do Nordeste. 

Foi dessa região do país que migraram trabalhadores para a construção da capital federal, radicando-se depois na região administrativa. Dentro deste contexto, surgiu a ideia de se criar uma Cordelteca.

A reforma do espaço prevê que as janelas irão receber proteção contra luz solar e calor, a decoração será temática, contando com tapetes e almofadas produzidos pela comunidade em oficinas. 

imagem04-10-2019-23-10-31Foto: Brasil/EBC

Adesivos em padrões de xilogravuras estamparão as paredes, e os tradicionais varais de cordéis também estão presentes, compondo um ambiente acolhedor e convidativo para a leitura e a permanência, informa a gerente de acervos da Subsecretaria do Patrimônio Cultural (Supac), Aline Ferrari de Freitas.

 Cordéis e livros serão classificados e ficarão disponíveis para consulta no Sistema Interligado de Bibliotecas Públicas e Escolares do DF, pelo software Koha. 

A previsão de inauguração é 10 de dezembro, a tempo para o aniversário de 60 anos de Brasília em 2020. A cordelteca permitirá a realização de oficinas ligadas ao tema, além de ser um espaço de leitura e convivência social.

“A Casa do Cantador vai ressurgir ainda mais vigorosa com a cordelteca, mais equipada para divulgar o importante patrimônio cultural do Nordeste”, diz o subsecretário da Supac, Cristian Brayner.

O espaço receberá o nome de João Melchiades Ferreira (1869-1933). Esse paraibano, conhecido como O cantor da Borborema, foi um cantador e poeta de literatura de cordel. É considerado um dos grandes nomes da primeira geração de cordelistas nordestinos. imagem04-10-2019-23-10-34

“É uma excelente escolha”, diz Danglei de Castro Pereira, professor de literatura brasileira na UnB é também pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF), que desenvolve pesquisas relacionadas à literatura e cultura com ênfase na cultura popular. 

Ele destaca a capacidade do cordel de se ajustar aos meios digitais, uma vez que a transmissão oral é parte da linguagem dessa plataforma. Há, na rede, segundo ele, grupos de discussão, sítios e canais no YouTube.

O estudioso afirma que o cordel há muito não é apenas um fenômeno nordestino, tendo passado por um processo de nacionalização, no qual os estados da federação, com ênfases distintas, se apropriaram da arte com recortes particulares.

A literatura de cordel recebeu no ano passado o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, registro dado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 O especialista da UnB destaca que, ao longo dos anos, o cordel vem ganhando modificações em seu processo de construção, com mudanças no uso da xilogravura, modos de impressão, e variações no modo de composição, mas sempre na esteira do cancioneiro popular, a partir da cultura fiel às tradições populares em aparente oposição ao erudito.

Virou novela (Cordel Encantado, 2011), mas faz parte também de iniciativas sofisticadas, como a do Movimento Armorial de Ariano Suassuna, que busca criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste.

 O presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) – que tem sede no Rio –, Gonçalo Ferreira da Silva, festeja a intenção da Secec em criar a cordelteca no Cantador. “É uma ideia que aguarda há dez anos sua concretização e vem em boa hora”, avalia ele. Hoje existem 28 bibliotecas de cordel no país, com concentração no Nordeste. “O Ceará tem oito, mas é porque sou de lá e a demanda acaba sendo maior”, explica. Nascido em Ipu (CE), é autor de 300 cordéis e 30 livros.

imagem04-10-2019-23-10-36Foto: ABLC

 “O cordel tem uma inteligência que possibilita que a linguagem se adapte às inovações tecnológicas. Foi incorporado pelo rádio, a TV e agora acha seu caminho na Internet. Sua beleza melódica e potencial artístico e pedagógico o tornam imortal, universal”, diz Silva.

 Funcionário da Rádio MEC por 40 anos, começou a compor literatura de cordel a partir do contato com intelectuais como Sebastião Nunes Batista e Orígenes Lessa, na Casa Rui Barbosa.

 O “senhor Gonçalo”, como é conhecido, estuda uma doação de acervo dessas peças para a Casa do Cantador.

Serviço

Quem também quiser encaminhar exemplares ao espaço pode ligar no telefone (61)33256222 ou mandar para um desses endereços:

 

Biblioteca Nacional de Brasília

Setor Cultural da República, Área Cívica, Lote s/nEdifício da Biblioteca Nacional, DF, 70070-150

 

Casa do Cantador

QNN Quadra 32 Área Especial G – CeilândiaBrasília – DF, 72220-327

 

Secretaria de Cultura e Economia Criativa

SDCN Via N2 Anexo do Teatro Nacional – Asa NorteBrasília – DF, 70086-900

* Com informações da Secretaria de Cultura (Secec)

Casa do Cantador Cordelteca cultura Literatura de cordel Nordeste

Fonte: www.agenciabrasilia.df.gov.br/2019/10/04/casa-do-cantador-vai-ganhar-uma-cordelteca

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