Em um bate-papo exclusivo nesta sexta-feira (13), o senador detalhou sua infância no campo, os 15 anos dedicados ao jornalismo investigativo e os desafios que o levaram ao Senado Federal.
Da Redação
Nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, o podcast Folha Nobre, apresentado pelo jornalista e especialista em marketing político, Ivan Lara, recebeu uma das figuras mais proeminentes da política rondoniense e nacional: o senador Marcos Rogério (PL). Em uma conversa descontraída e repleta de revelações, o parlamentar revisitou sua história, desde os tempos de vida sofrida na roça até o destaque nas principais comissões do Congresso Nacional.
Origens no campo e a “cama de palha”
Natural de Ji-Paraná, Marcos Rogério fez questão de destacar que sua trajetória começou longe dos holofotes. Filho de agricultores que chegaram a Rondônia na década de 70, ele relembrou a realidade dura da Linha 86.
“Naquele tempo a vida no campo era muito sofrida. Então você tinha uma cama de madeira, era lasca de coqueiro e palha de arroz. Essa era a realidade de muitas famílias na Roça. Era a minha realidade também”, revelou o senador, detalhando as dificuldades das casas de madeira cobertas com “tabuinhas” que deixavam a chuva passar.
Do rádio ao jornalismo investigativo
Antes de ingressar na política, Marcos Rogério dedicou 15 anos à comunicação. Sua porta de entrada foi no rádio, ajudando seu pastor a carregar discos de vinil e lendo cartas de ouvintes no ar. Com o tempo, consolidou-se na televisão com um perfil combativo e investigativo.
Um dos momentos mais tensos relatados foi o embate com um então vereador de Ji-Paraná. Após denunciar o uso indevido de um veículo público, o senador teve o estúdio invadido pela autoridade. “Ele me empurrou na parede, meteu o dedo na minha garganta e foi uma situação muito constrangedora e desagradável”, relembrou, reforçando que, apesar das ameaças, nunca se deixou intimidar no exercício da profissão.

O salto político e o “relatório cunha”
A transição para a política ocorreu pela “inquietação” de ser alguém que apenas cobrava soluções no microfone. Após ser eleito vereador e, posteriormente, deputado federal — eleição em que quadriplicou seus votos em apenas três anos —, Marcos Rogério ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria da cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética.
Sobre esse período, ele destacou a importância da lisura processual: “Eu consegui manter a rigidez do processo, a lisura do processo, tanto que ele tentou anular por diversas maneiras e nunca conseguiu anular um ato que eu pratiquei”.
Fé e estratégia
O senador também comentou sobre a decisão arriscada de trocar uma reeleição segura na Câmara dos Deputados pela disputa ao Senado. Segundo ele, a vitória foi fruto de estratégia e, acima de tudo, fé.
“O mesmo Deus que fez milagre para deputado federal, é o que faz pra senador da república. Se Deus quiser, eu vou ser senador”, disse ele à sua equipe na época, quando as pesquisas ainda o colocavam em posições desfavoráveis. Ao abrir das urnas, ele terminou em primeiro lugar com ampla vantagem.
Fenômeno nas redes sociais
Com quase dois milhões de seguidores somando todas as suas redes, o parlamentar atribui o crescimento explosivo de sua audiência digital à atuação na CPI da Pandemia. “Antes da CPI eu tinha ali 120, 130 mil seguidores… hoje as pessoas se informam mais por esses meios até do que por meios convencionais”, concluiu.
