Em uma edição especial do podcast Folha Nobre, realizada nesta segunda-feira, 4 de maio, o empresário Márcio Cataneo compartilhou sua trajetória marcada pelo pioneirismo, visão de oportunidade e construção de um legado nos setores madeireiro e agropecuário em Ariquemes. A conversa percorre desde a infância em Santa Catarina até a consolidação da Agropecuária Porto Franco como referência nacional na produção de genética Nelore.
Das origens no Sul ao desafio na Amazônia
Natural de Orleans, em Santa Catarina, Márcio relembra o início da sua história e a forte ligação familiar com o setor madeireiro:
“Eu nasci em Orleans. Nasci, me criei, morei lá até 17 anos.”
Ainda jovem, decidiu vir para Rondônia em uma missão inicialmente temporária, atendendo a um pedido do pai, que já mantinha negócios com madeira na região:
“Cheguei dia 20 de junho de 1985. Fiz 18 anos no mês seguinte. Cheguei ainda menor de idade, já emancipado pelo meu pai.”
O que era para ser uma experiência passageira acabou se tornando definitivo. A abundância de matéria-prima e as oportunidades econômicas foram decisivas:
“O que me motivou a ficar foi a oportunidade. Comecei a ganhar dinheiro e conquistar minha independência.”
Construção empresarial e desenvolvimento regional
A trajetória da família Cataneo se fortaleceu com a criação da madeireira, da loja de materiais de construção Catâneo e, posteriormente, com a expansão para o agronegócio.
Márcio descreve como funcionava a operação no início:
“Eu comprava madeira das outras madeireiras, trazia para Ariquemes, armazenava e aguardava a secagem para depois enviar.”
Com o passar dos anos, a família diversificou suas atividades, incluindo transporte, comércio e, posteriormente, a agropecuária, acompanhando o crescimento econômico da região.
Energia, desafios e adaptação
Um dos principais desafios enfrentados nos primeiros anos foi a limitação no fornecimento de energia elétrica:
“Na época a gente tinha energia apenas algumas horas por dia, então não dava para depender disso.”
Diante desse cenário, a solução foi investir em geração própria, utilizando caldeiras e, posteriormente, geradores a diesel, garantindo a continuidade das atividades.
Uma homenagem que permanece viva
A história da família também carrega momentos marcantes, como a perda do irmão mais novo, Marquinhos, ainda jovem. Em sua memória, a família criou o CTG Tio Marquinhos, mantendo viva sua presença por meio da tradição e da convivência.
“Chamavam ele de Tio Marquinhos, e o nome ficou como forma de homenagem.”
Hoje, o espaço se tornou referência nas atividades tradicionalistas da região e simboliza a continuidade dos valores familiares.
A virada para o agronegócio
A entrada na pecuária ocorreu na década de 1990, com foco em qualidade genética:
“A ideia era produzir touros de qualidade para uso próprio, sem objetivo inicial de comercialização.”
Com o tempo, o trabalho evoluiu para um projeto estruturado de melhoramento genético:
“O Nelore Porto Franco começou ali e vem sendo desenvolvido desde então.”
A adoção de tecnologias como inseminação artificial, transferência de embriões e fertilização in vitro acelerou significativamente os resultados:
“No início, o melhoramento era lento. Hoje, com a tecnologia, o avanço é muito mais rápido.”
Reconhecimento nacional e leilão
Atualmente, a Agropecuária Porto Franco possui reconhecimento nacional, impulsionado principalmente pelo leilão anual:
“Hoje a Porto Franco é reconhecida nacionalmente.”
A próxima edição já está confirmada:
“Será no dia 21 de junho, às 9 horas, na Cabanha Recreio, em Ariquemes.”
Neste ano, serão disponibilizados 120 animais selecionados, representando o melhor da genética desenvolvida ao longo dos anos.
Trabalho contínuo e visão de futuro
Mesmo após décadas de atuação, Márcio destaca que o trabalho é constante e exige evolução diária:
“O trabalho é contínuo. É preciso inovar todos os dias, porque tudo evolui muito rápido.”
A trajetória de Márcio Cataneo se conecta diretamente com o desenvolvimento de Ariquemes e da pecuária em Rondônia, refletindo uma construção baseada em trabalho, adaptação e visão de longo prazo.
A entrevista completa pode ser assistida no YouTube no vídeo abaixo. Trechos e cortes também serão publicados nas redes sociais da Folha Nobre.
