O diploma de medicina continua sendo símbolo de prestígio e oportunidade, mas a realidade financeira dos médicos recém-formados está cada vez mais complexa. Ao concluir a graduação, muitos jovens profissionais carregam uma combinação de dívidas estudantis, financiamentos educacionais e custos acumulados ao longo dos anos de faculdade, um período marcado por mensalidades elevadas, congressos pagos, moradia e rotina intensa de estudos. Ao mesmo tempo, a entrada no mercado de trabalho desperta desejos que antecederam a formação, como viajar e/ou comprar o primeiro carro.
Embora os primeiros salários tragam alívio e até permitam a realização de alguns desses objetivos, a matemática, na maioria das vezes, não fecha. E, então, muitos se perguntam o que fazer para conquistar independência financeira, melhorar a qualidade de vida, equilibrar o consumo e construir um patrimônio desde o início da trajetória profissional. Além disso, outro “problema” para esses novos profissionais é que o cenário atual da medicina também mudou. Hoje, há mais médicos entrando no mercado e maior competitividade.
Diante desse cenário, Carlos Henriques, vice-presidente da Unicred Coalizão, com agências em Niterói, é enfático: decisões tomadas logo após a formatura podem impactar diretamente a estabilidade financeira e a capacidade de crescimento do médico ao longo dos anos. “É justamente nesse momento que instituições financeiras cooperativistas especializadas na área da saúde ganham relevância ao oferecer acompanhamento mais próximo e planejamento de longo prazo. Diferentemente dos bancos tradicionais, o modelo cooperativista busca acolher o profissional desde os primeiros passos da carreira, ajudando a organizar a vida financeira e estruturar metas patrimoniais”, avalia.
Entre as principais demandas dos médicos recém-formados estão a aquisição do primeiro veículo, a montagem futura de consultório e, posteriormente, a compra de imóvel ou a continuidade da formação por meio da residência médica. E é nesse momento que algumas linhas de crédito, com prazos mais alongados, podem ser fundamentais para a saúde financeira desse médico. “Algumas cooperativas financeiras já oferecem linhas de crédito específicas para estudantes de medicina, com condições facilitadas e possibilidade de transferência da dívida para o recém-formado após a graduação”, pontua Henriques.
Mas, além de pensar em previdência privada, renda fixa, fundos de investimento e aplicações voltadas para objetivos de médio e longo prazo, é fundamental investir em educação financeira mesmo antes de terminar a graduação. Henriques comenta, inclusive, que muitos profissionais, mesmo depois de anos de formados, acabam cometendo erros comuns do início da carreira, como assumir financiamentos extensos, recorrer a empréstimos para consumo imediato ou não separar adequadamente as finanças pessoais das receitas profissionais. “O planejamento passa também por decisões estratégicas sobre a formalização da atividade médica, como abrir ou não um CNPJ, definir corretamente o pró-labore e utilizar mecanismos de distribuição de lucros com apoio contábil especializado. Uma estrutura financeira organizada pode trazer vantagens tributárias e melhorar significativamente a gestão da renda nos primeiros anos de atuação”, diz. E conclui: “Planejar não significa abrir mão de sonhos, mas criar condições sustentáveis para realizá-los”.
