
Nas eleições de 4 de outubro para presidente, governador, deputados federais, estaduais ou distritais e senadores, mais de 158 milhões de cidadãos estarão aptos a votar, o que representa 2,2 milhões de eleitores a mais em relação ao pleito de 2022. Em entrevista à Rádio Câmara, o cientista político Carlos Oliveira ressaltou o envelhecimento desse público, apontando um avanço expressivo a partir dos 45 anos. Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 2026 confirmam a concentração na idade adulta: a faixa de 40 a 44 anos abrange 15,9 milhões de pessoas (10,08% do total), seguida por 45 a 49 anos (15,271 milhões), 35 a 39 anos (15,262 milhões), 30 a 34 anos (15,178 milhões) e 25 a 29 anos (14,9 milhões). Além disso, o grupo de 60 anos ou mais cresceu 4,56 milhões entre 2022 e 2026, alcançando 37,45 milhões (23,6% do eleitorado), ao passo que a faixa de 21 a 34 anos encolheu de 43,8 milhões para 41,037 milhões de eleitores.

Entre as faixas de voto facultativo, os jovens de 18 anos ou menos sofreram uma redução de 606 mil cadastros em comparação a 2022, sendo incentivados a votar principalmente pelo engajamento de familiares e amigos. Nos eleitores com mais de 70 anos, a participação costuma ser mantida por um interesse político prévio ou estimulada pelo convívio com netos e bisnetos, padrão respaldado por pesquisas europeias. Embora correspondam a 52,8% do total de eleitores, as mulheres ainda não são maioria na política representativa; o especialista destacou que a legislação recente busca mitigar esse quadro desde a redemocratização, mas ponderou que a sobrecarga da jornada doméstica — com três horas diárias a mais de afazeres do que os homens na média mundial — exige apoio social amplo. Por fim, Oliveira defendeu que, apesar de o eleitor médio ainda ter dificuldade de associar seu voto às políticas públicas, é crucial priorizar o interesse coletivo de longo prazo e não abdicar de um direito histórico conquistado com lutas.