Candidato do Novo apostou em arte de foguete e pesquisa para “disparar”, mas foi o 5º mais votado do próprio partido e ficou fora da Assembleia.
Opinião | Redação Folha Nobre
Na véspera da eleição, a campanha de Lucas Follador publicou uma arte em que o candidato aparece montado num foguete, com o slogan “Amanhã é 30.300”. Foi bonito. O problema é que o amanhã chegou, as urnas abriram, e o foguete nunca saiu da plataforma.
Follador teve 5.494 votos para deputado estadual. Foi o 5º mais votado do Novo, partido que elegeu dois e deixou o resto de fora. Ficou a 4.059 votos do último eleito, Dr. Gilber, que fez 9.553 e é do mesmo partido. Foi atropelado dentro de casa. Ninguém precisou de adversário externo.
Alguém dirá que o sobrenome ajuda. Ajuda a abrir porta, não a encher urna. Lucas é filho de Adelino Follador, ex-prefeito de Cacaulândia e deputado estadual por três mandatos. Em 2018, pai e filho foram juntos às urnas e nenhum foi eleito. Em 2022, Lucas passou uns meses na Câmara como suplente de Mariana Carvalho, o bastante para virar vice-líder do PSC, mas não o bastante para convencer o eleitor a mantê-lo lá. Foi vice de Thiago Flores e passou praticamente os quatro anos brigado com ele. Em 2020, disputou a prefeitura de Ariquemes e não ganhou. O currículo é de quem está sempre quase chegando, mas as eleições não pagam por intenção.
A escolha da campanha foi outra questão. Sem linha narrativa definida, sem estratégia visível, apostou num trunfo perigoso: confrontar e atacar Alex Redano e Carla Redano. Alex Redano foi reeleito com 15.709 votos, quase o triplo do que Follador fez. A prefeita segue governando. O trunfo, no fim, só rendeu a vitrine de ter brigado com os maiores.
Dinheiro não faltou. Pela prestação de contas parcial no TSE, a campanha movimentou R$ 359,5 mil, contratou R$ 228,8 mil em despesas e botou R$ 71,9 mil só em militância de rua. Dá cerca de R$ 41,65 por voto. Bandeirinha na rua, adesivo no carro, mobilização de calçada. Tudo isso não se converteu em urna, porque nem os carros da carreata votam.
Aí chegamos às pesquisas, a parte mais curiosa. Entre as pesquisas que a campanha divulgou nas redes, e essas não são necessariamente todas, teve uma que colocava Follador em 14º, com 1,04%, e foi vendida como “disparada”. Duas semanas depois, ele aparecia em 10º, sem que ninguém explicasse a mudança. Em seguida veio o título de “1º no Vale do Jamari”, amparado num recorte de três cidades dentro de uma amostra de mil pessoas, cuja margem de erro não vale para recorte. Na véspera, a própria arte exibia uma tabela com Follador em 8º, ao lado de um título de primeiro no Vale do Jamari. Ele deve ter achado que o eleitor ia comprar essa narrativa de o “Homem disparou”.
No fim, o eleitor fez a sua própria pesquisa, a única com valor de decisão, e o resultado foi 5.494 votos. Não teve margem de erro nem recorte favorável. A arte ficou bonita, o foguete ficou no chão, e a conta da viagem que não aconteceu já está registrada no TSE.

