O PL, que terá 28 dos 81 senadores a partir de 2027, anunciou que vai trabalhar pela eleição de Rogério Marinho (PL-RN) para presidir o Senado e descartou apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). A decisão acontece em 1º de fevereiro, por voto secreto, e esbarra num pedido que circula nos bastidores: União e PP querem garantia para Alcolumbre em troca de apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Análise | Redação Folha Nobre
O que já é fato
Logo após o primeiro turno, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que o partido vai trabalhar pela eleição de Marinho e que um acordo com Alcolumbre está “totalmente descartado”, segundo a CNN Brasil e o Congresso em Foco. Ele afirmou que Alcolumbre está alinhado ao governo Lula e ligou a mudança ao segundo turno presidencial, em 25 de outubro: com a vitória de Flávio, diz, será possível trocar o comando da Casa.
Para ser eleito, o candidato precisa de 41 dos 81 votos. O PL terá a maior bancada desde a Constituição de 1988, com 28 senadores, segundo levantamento da Exame; PT terá 9, MDB 8, União 6, PP 6, Republicanos 5 e PSD 5. Valdemar diz contar com PP, União e Republicanos: juntos com o PL, somam 44 senadores sem contar Alcolumbre, segundo o Congresso em Foco.
Maior bancada, porém, não garante a cadeira. Em 2023, Marinho foi derrotado por Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32. E um levantamento da Gazeta do Povo com base em pesquisas estaduais estimou que a direita e seus aliados podem chegar a 37 ou 39 votos, de 2 a 4 a menos que os 41 necessários.
O que é bastidor
A cobrança da federação União-PP. Segundo o Jornal de Brasília e a CNN Brasil, Flávio procurou os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda, e a federação condiciona o apoio à garantia de que Alcolumbre continue na presidência do Senado. A federação marcou reuniões para terça (6) e um evento com Flávio para quarta (7), segundo a CNN Brasil, mas o anúncio ainda não havia sido formalizado até a publicação desta matéria. O pedido bate de frente com o que Valdemar disse em público.
O silêncio de Alcolumbre. Nas reportagens consultadas não há reação pública dele ao lançamento de Marinho. Ele manteve o calendário da PEC do fim da escala 6×1 nesta terça, segundo o GC Mais. A CNN relata que ele sinalizou a interlocutores que pretende manter o apoio a Lula, divergindo da posição nacional do próprio partido. É informação de bastidor, sem confirmação dele.
A desconfiança bolsonarista. Em maio, reportagem da Folha, reproduzida pelo ICL Notícias, ouviu senadores de direita e aliados sob anonimato. Eles falavam em desconfiança em relação a Alcolumbre, em uma possível “ponte” dele com Flávio e na intenção de se reeleger independentemente do resultado da eleição. Nada disso foi confirmado oficialmente.
O efeito Messias. Em 29 de abril, o Senado rejeitou por 42 a 34 a indicação de Jorge Messias ao STF. Para o jornalista Daniel Rittner, da CNN, o episódio melhorou a posição de Alcolumbre diante da direita, em análise publicada pela emissora. É uma leitura, não um fato.
Os outros nomes. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) aparece como cotada em reportagem do Brasil no Centro, e coluna da Gazeta do Povo de agosto listava Alcolumbre, Marinho, Tereza Cristina, Renan Calheiros e Arthur Lira. Renan saiu do jogo: terminou em terceiro em Alagoas, com 22,25% dos votos, segundo O Antagonista. Lira (PP) foi eleito e entra no radar, mas não há candidatura declarada nas matérias consultadas.
Três caminhos possíveis (leitura da Folha Nobre)
Marinho com Flávio presidente. É o cenário que o PL defende: a vitória de Flávio daria mais peso ao partido, mas Marinho ainda precisaria de cerca de 13 votos fora da bancada e do apoio do centrão, que hoje pede garantia para Alcolumbre.
Alcolumbre de novo. Depende de manter a base do centro e de partidos do campo de Lula, e de o PL não conseguir fechar com PP, União e Republicanos. O voto secreto abre espaço para traições nos dois lados.
Um nome de composição. Se PL e centrão não fecharem, nomes como Tereza Cristina podem surgir como saída. São cenários possíveis, não previsões.
E Rondônia?
Os dois senadores eleitos por Rondônia, Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid, são do PL e entram na maior bancada da Casa, a do partido que lançou Marinho. Nas matérias consultadas não há posicionamento público deles sobre a disputa. Veja os perfis em nossa matéria sobre os senadores eleitos por Rondônia.
Perguntas frequentes
Quando o Senado elege o novo presidente?
Em 1º de fevereiro de 2027, na primeira sessão da nova legislatura, por voto secreto.
Quantos votos são necessários?
Maioria dos 81 senadores, ou seja, 41 votos.
Alcolumbre pode concorrer de novo?
Ele aparece nas articulações para continuar no cargo, mas, nas matérias consultadas, não anunciou formalmente candidatura.
As informações de bastidor vêm de reportagens de outros veículos, com fontes anônimas, e podem mudar a qualquer momento. Dados de composição do Senado sujeitos a ajustes até a diplomação e a definição dos segundos turnos estaduais.
