O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Excluídos os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais frequente entre as brasileiras, e a detecção precoce segue como principal aliado do tratamento. O Outubro Rosa reforça esse alerta, mas muitas mulheres fazem a mamografia no mês e passam o resto do ano sem olhar para os demais exames e sintomas.
Para a ginecologista Fabiana Bersch, que atua há mais de 25 anos com saúde da mulher, o mês deveria funcionar como porta de entrada. “A mamografia é indispensável e precisa estar em dia. Mas a mama é uma parte da história”, afirma.
Exames por faixa etária
A mamografia entra na rotina a partir dos 40 anos. O Ministério da Saúde garante o exame pelo SUS entre 40 e 49 anos, em decisão conjunta com o profissional de saúde, e recomenda o rastreamento a cada dois anos dos 50 aos 74. A Sociedade Brasileira de Mastologia defende o exame anual a partir dos 40. Segundo o INCA, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem depois dos 50 anos, mas a faixa dos 40 aos 49 concentra perto de um quarto dos diagnósticos, de acordo com o Ministério.
Dos 25 aos 64 anos, a prioridade é o rastreamento do câncer do colo do útero. O SUS está substituindo de forma gradual o papanicolau pelo teste de DNA-HPV, repetido a cada cinco anos quando o resultado é negativo. A partir dos 40, vale acompanhar pressão, glicemia e colesterol. A partir dos 65, ou antes para quem tem fatores de risco após a menopausa, a densitometria óssea avalia a perda de massa óssea.
Em casa, todos os dias
O INCA lista excesso de peso, sedentarismo e consumo de álcool entre os fatores de risco para o câncer de mama que podem ser modificados. A Organização Mundial da Saúde recomenda ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, com exercícios de força em dois ou mais dias. A médica trabalha com cinco pilares: sono, nutrição, controle do estresse, exercício e equilíbrio hormonal. Ansiedade, irritabilidade e insônia frequentes também merecem atenção, sobretudo a partir dos 40.
O que não é normal
Na mama, pedem avaliação rápida: nódulo, geralmente indolor e fixo, alteração na pele ou no formato, retração do mamilo, saída de secreção e caroço na axila. “Conhecer o próprio corpo ajuda, mas apalpar a mama não substitui exame de imagem”, orienta Fabiana. Fora da mama, não devem esperar: sangramento depois da menopausa, fora do período menstrual ou após a relação sexual, cólica que impede a rotina, dor pélvica persistente, dor na relação, inchaço abdominal que não passa e perda de peso sem explicação.
“Normalizar sintoma é o que faz a mulher chegar tarde”, afirma a ginecologista, que atende em Primavera do Leste (MT) e on-line. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Fonte: assessoria de imprensa de Jana Gahyva.