Mais de dez meses após a chegada de dezenas de milhares de refugiados congoleses ao acampamento de Busuma, no leste do Burundi, as condições seguem extremamente precárias, e muitos dizem preferir voltar à República Democrática do Congo (RDC). O alerta é de Médicos Sem Fronteiras (MSF), preocupada com o risco de piora, já que várias organizações humanitárias podem ficar sem financiamento nas próximas semanas.
“É como se fôssemos cabras amarradas a uma estaca e deixadas ali para pastar”, diz Ibonge Alinoti, que chegou em dezembro de 2025 fugindo dos confrontos na RDC.
Desde abril, mais de 20 mil refugiados retornaram à RDC por programa voluntário coordenado pela ONU, mas cerca de 35 mil pessoas ainda vivem em Busuma. A distribuição de alimentos e a assistência financeira foram reduzidas, e os abrigos, com vida útil de seis meses, se deterioram com a chegada da estação chuvosa.
Saúde em risco
Em setembro havia uma latrina para cada 119 pessoas e um chuveiro para cada 242. Entre julho e setembro, as equipes de MSF fizeram mais de 12 mil consultas ambulatoriais, principalmente por infecções respiratórias e intestinais, e mais de 300 pessoas receberam atendimento especializado. A demanda por saúde mental é alta, com casos de depressão, ansiedade, psicose e estresse pós-traumático.
Diversas organizações têm financiamento garantido só até o fim de 2026, e algumas apenas até outubro. “Existe um risco concreto de que várias organizações sejam obrigadas a encerrar suas atividades já no início de 2027”, alerta Adélaïde Ouabo, coordenadora de projetos de MSF no Burundi.
Fonte: assessoria de imprensa de Médicos Sem Fronteiras.