Em sessões de apoio psicossocial em grupo organizadas por Médicos Sem Fronteiras (MSF), crianças de Gaza usam desenhos para retratar o que veem e sentem: a fila para buscar comida, a chuva atravessando a barraca, tanques demolindo edifícios e os amigos com quem costumavam brincar.
Segundo MSF, três anos de ofensiva militar tiveram efeito devastador sobre a saúde mental da geração mais jovem do território. Muitas crianças perderam familiares, casas, escolas e amigos, e os deslocamentos repetidos eliminaram os espaços onde poderiam brincar sem medo.
“Em toda Gaza, estamos observando níveis alarmantes de luto, ansiedade, distúrbios do sono e sofrimento psicológico, tanto entre adultos quanto em crianças”, afirma Franz Luef, coordenador de projetos de MSF para a Palestina.
Necessidade de apoio psicossocial dobrou
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas em Gaza que precisam urgentemente de apoio psicossocial e em saúde mental passou de cerca de 485 mil para mais de 1 milhão desde antes do conflito.
Entre o fim de 2023 e setembro de 2026, as equipes de MSF realizaram mais de 132 mil consultas individuais de saúde mental e deram suporte a mais de 246 mil pessoas em atividades em grupo.
Efeitos no dia a dia
Conselheiros relatam aumento de ansiedade, medo, gritos, comportamento agressivo, hábito de roer unhas e episódios de micção involuntária entre os mais jovens. “Crianças que cresceram durante a guerra e que hoje têm três ou quatro anos perderam a compreensão de muitos conceitos fundamentais. Muitas não sabem o que significa lar”, explica Mahmoud Al-Balbisi, conselheiro de saúde mental de MSF.
Na clínica de MSF em Zaytoun, na Cidade de Gaza, o apoio é oferecido por meio de música, jogos, histórias e desenhos. Dina, de nove anos, resume seu desejo: “Que tudo volte a ser como era antes”.
Fonte: assessoria de imprensa de Médicos Sem Fronteiras (MSF)