Durante audiência realizada na 2ª Auditoria da Justiça Militar, em Porto Alegre, nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, foram ouvidas duas testemunhas de acusação em ação penal proposta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) que apura a morte de um estudante de 22 anos durante uma abordagem policial em Gramado. A atuação do MPRS no caso é conduzida pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs.
O objetivo da audiência foi o avanço da instrução processual, com a produção de prova oral considerada fundamental para o esclarecimento dos fatos e para a análise da responsabilidade criminal do PM. Conforme a denúncia oferecida pelo MPRS à Justiça Militar, o réu praticou agressões físicas durante a abordagem policial, das quais resultou a morte da vítima, embora sem intenção direta de produzir o resultado fatal. A promotora Anelise Grehs disse ainda que, depois de ouvidas todas as testemunhas de acusação, os próximos passos serão o depoimento das testemunhas de defesa e o interrogatório do policial militar. Depois disso, haverá as manifestações finais das partes e a Justiça Militar poderá proferir a sentença.
O CRIME
O crime ocorreu na madrugada de fevereiro de 2023, em uma avenida central de Gramado, após a Brigada Militar ser acionada pelo próprio estudante, que se encontrava em surto psicológico, além de apresentar sinais de embriaguez. Sem qualquer antecedente criminal, o jovem tinha diagnóstico de hiperatividade e acreditava estar sendo perseguido. Durante a abordagem, já sentado sobre um muro e sem oferecer resistência, ele – que estava desarmado, não praticou agressões contra terceiros ou contra policiais – foi atingido com um golpe na cabeça desferido pelo PM investigado, vindo a cair de uma altura aproximada de oito metros, o que causou sua morte. Conforme apurado, o estudante apenas tentou se afastar do local e buscava entrar em um hotel, sem oferecer resistência ou representar ameaça.