O maestro paulista Roberto Tibiriçá faleceu na madrugada deste sábado (3), em São Paulo, aos 72 anos, em decorrência de um câncer. Ele estava internado na capital paulista, onde também ocorrerá o velório em local a ser informado. Titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) desde 2022, o artista conduziu sua última apresentação em 16 de julho, na cidade de Londrina (PR), integrando o projeto Guaíra para Todos. A perda do regente motivou homenagens da OSP, da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e do Teatro Guaíra, por meio do seu diretor-presidente, Cleverson Cavalheiro, que expressou nas redes sociais que a música perde um grande nome, mas que o legado de Tibiriçá permanecerá vivo na trajetória dos músicos, nos espetáculos e em cada espectador impactado pela sua obra.
Iniciando seu caminho na música clássica como pianista aos 8 anos, Tibiriçá estudou por 18 anos com Eleazar de Carvalho na Osesp e construiu uma carreira de mais de quatro décadas. No exterior, comandou a Orquestra Metropolitana de Lisboa e trabalhou como assistente no Teatro Nacional de São Carlos entre 1984 e 1985. No Brasil, dirigiu as orquestras de Campinas, São Bernardo do Campo, Minas Gerais (de 2010 a 2013), Heliópolis (do Instituto Baccarelli) e a Petrobrás Pró-Música, da qual foi titular e diretor artístico de 2000 a 2003. Na OSB, assumiu a direção artística em 1994 e depois a regência titular, trabalho pelo qual foi eleito Músico do Ano pela crítica do Rio de Janeiro e recebeu o Prêmio Estácio de Sá, do governo fluminense, ambos em 1995.
Pioneiro em gravações eruditas em gravadoras nacionais desde 1974, o maestro esteve à frente do único LP composto só por músicas brasileiras gravado no Masp pela pianista Guiomar Novaes. No fim dos anos 1980, fundou em São Paulo a Orquestra Nova Filarmonia, que acompanhou o tenor italiano Luciano Pavarotti. Tibiriçá também esteve presente em várias edições do Projeto Aquarius, destacando-se a regência na Missa Campal celebrada pelo Papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, em 1997 — data da última viagem do pontífice ao país —, diante de cerca de 2 milhões de pessoas. Em março de 2003, assumiu a Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música e, a partir de 2018, tornou-se membro honorário da Academia Nacional de Música, no Rio de Janeiro.